A consolidação do Cartel de los Soles é resultado de um processo lento e contínuo que teria transformado setores do Estado venezuelano em peças-chave do narcotráfico internacional. O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump acusou o ditador da Venezuela desde 2013, Nicolás Maduro, de ser o chefe deste grupo.
A facção, conforme declara a organização InSight Crime, não nasceu como um cartel tradicional, articulado de forma centralizada, mas como uma rede que se expandiu conforme militares e agentes públicos passaram a atuar na proteção e no transporte de cocaína.
“O papel mais frequente dos militares venezuelanos no tráfico de drogas tem sido o de garantir a passagem segura de carregamentos de cocaína, bem como autorizar a chegada e partida de aeronaves que transportam a droga para outros países.”
O nome surgiu nos anos 1990, associado aos sóis que oficiais das Forças Armadas da Venezuela carregam nos uniformes. Aos poucos, unidades responsáveis por combater o tráfico passaram a ser mencionadas em investigações internacionais como parte essencial da própria cadeia criminosa.
O avanço do grupo só se tornou possível porque diferentes estruturas de poder se conectaram. A antiga Guarda Nacional, encarregada do patrulhamento de fronteiras e alfândegas, virou um ponto de entrada para subornos e acordos com traficantes colombianos.
A corrupção se expandiu durante o governo do ditador Hugo Chávez (1999 -2013), quando militares receberam mais espaço político e administrativo. A presença desses oficiais em áreas civis criou uma rota livre para operações logísticas que abastecem cartéis estrangeiros.
Com isso, unidades militares e policiais passaram a garantir proteção, facilitar o embarque de carregamentos e controlar zonas estratégicas próximas à Colômbia.
Cartel de los Soles e o regime de Maduro
Essa engrenagem cresceu na mesma velocidade em que o Estado venezuelano se enfraqueceu, relata a entidade. A crise econômica prolongada no regime de Maduro, somada à deterioração institucional, abriu espaço para a atuação direta de grupos criminosos colombianos que cruzaram a fronteira em busca de rotas mais seguras.
“Vários relatórios indicam que oficiais militares venezuelanos estacionados ao longo da fronteira podem decidir se permitem que carregamentos de drogas se movam por terra – e muitas vezes fornecem proteção ao longo da rota”, relata o documento.
“Isto é especialmente verdade em pistas de pouso clandestinas nos estados fronteiriços de Zulia, Apure e Táchira, que servem como pontos de partida para voos de cocaína para a América Central e o Caribe.”
Guerrilheiros desmobilizados e dissidências das antigas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia migraram para território venezuelano, onde, de acordo com o estudo, encontraram proteção informal de autoridades locais.
Em troca, relata a InSight, passaram a treinar milícias e formar alianças com estruturas militares que já atuavam no contrabando. Essa simbiose reforçou a presença do Cartel de los Soles não só na logística, mas também no controle territorial.
A participação de autoridades de alto escalão se tornou alvo de investigações nos EUA. A Administração para o Cumprimento da Lei de Drogas (DEA) e a Justiça norte-americana apresentaram denúncias que descrevem a atuação coordenada de generais, ministros e figuras próximas ao Palácio de Miraflores, sede da presidência da Venezuela.