O ministro do Interior, Justiça e Paz da Venezuela, Diosdado Cabello, considerado o número 2 do regime chavista, apareceu em imagens divulgadas nas redes sociais discutindo com um brigadista dos Estados Unidos, integrante das equipes de socorro que o governo Donald Trump enviou ao país sul-americano para ajudar nas operações de busca e resgate após os terremotos da semana passada.
A data e o local em que as imagens foram registradas são incertos, mas relatos apontam que teriam sido gravadas na região de La Guaira, a mais atingida pelos sismos.
Em dois vídeos, Cabello discute com o brigadista, mas o volume do áudio das gravações não permite ouvir a maior parte da conversa. No primeiro vídeo, o americano parece reagir a ordens do ministro chavista, dizendo: “Há alguém bem aqui gritando por socorro”, apontando para um local onde buscas estavam sendo realizadas.
No segundo vídeo, o brigadista gesticula para Cabello e afirma: “Afaste-se, afaste-se”. Embora o contexto não esteja claro, usuários de redes sociais afirmaram que o ministro estaria tentando dar ordens às equipes de resgate americanas.
A população da Venezuela tem se queixado da demora e da falta de ajuda oficial nas operações de busca e resgate de sobreviventes e afirmado que a maior parte das ações tem sido realizada por voluntários e representantes de governos e organizações internacionais.
Cabello foi declarado procurado pelos Estados Unidos em março de 2020, quando foi acusado de envolvimento numa conspiração narcoterrorista entre o Cartel de los Soles, da Venezuela, e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
Ele foi indiciado à época numa corte federal em Nova York por conspiração para cometer narcoterrorismo, conspiração para enviar cocaína para os Estados Unidos e acusações relacionadas envolvendo armas de fogo.
O Departamento de Estado americano ofereceu a princípio uma recompensa de até US$ 10 milhões por informações que levem à prisão e/ou condenação de Cabello. No início de 2025, a recompensa foi elevada para US$ 25 milhões. O chavista também foi alvo de sanções dos Estados Unidos.
Nos dias seguintes à operação militar americana na qual foi capturado o então ditador Nicolás Maduro, em janeiro deste ano, Cabello proferiu uma série de bravatas contra os Estados Unidos, como manifestações de repúdio a “ataques imperialistas que buscam minar a soberania e a estabilidade de todos os venezuelanos”.
Porém, ainda em janeiro, a agência Reuters publicou uma reportagem na qual três fontes oficiais não identificadas apontaram que o governo Trump deu um aviso a Cabello para que ele não atrapalhasse o processo de transição no país caribenho.
Segundo as fontes ouvidas pela agência britânica, Washington alertou que o ministro poderia “aparecer no topo da sua lista de alvos” se não ajudasse a ditadora interina, Delcy Rodríguez, “a atender às exigências dos EUA e a manter a ordem após a queda de Nicolás Maduro”.
Nos últimos meses, o chavista tem se mostrado mais discreto e parece ter perdido espaço no regime de Rodríguez, que se aproximou de Washington.