Nordeste deve atrair quase 30% dos investimentos em data centers

Expansão da inteligência artificial e oferta de energia renovável impulsionam projetos no Ceará, incluindo um complexo de 200 MW ligado ao TikTok.

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Vista do data center TFOR3, da Tecto Data Centers, localizado em Fortaleza, no Ceará.
Data center TFOR3, em Fortaleza, no Ceará, integra a expansão da infraestrutura digital no Nordeste. | Foto: Divulgação/Tecto Data Centers

O Nordeste está ganhando espaço na corrida por investimentos em infraestrutura digital e deve atrair quase 30% dos novos aportes destinados a data centers de grande porte no Brasil. A expansão é impulsionada pela disponibilidade de energia renovável, pelo crescimento da inteligência artificial e pela necessidade de ampliar a capacidade de processamento de dados no país.

A projeção da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) coloca a região entre os principais destinos de novos empreendimentos do setor, que movimenta investimentos bilionários e concentra parte da infraestrutura necessária ao funcionamento de serviços digitais, plataformas de internet e sistemas de inteligência artificial.

O avanço representa uma mudança no mercado brasileiro, historicamente concentrado no eixo Rio-São Paulo. Com grande produção de energia solar e eólica e infraestrutura de conectividade, o Nordeste passou a reunir condições para receber instalações de alta capacidade.

O Brasil tem atualmente 660 megawatts (MW) de capacidade de data centers em construção, dos quais 56% já estão contratados antes mesmo da conclusão das instalações. A expectativa do setor é dobrar a capacidade instalada no país até 2030.

Fortaleza abriga maior data center em operação no Nordeste

O Ceará já concentra alguns dos principais investimentos da região. Em Fortaleza, o TFOR3, da Tecto Data Centers, é considerado o maior data center em operação no Nordeste.

Localizado na Praia do Futuro e conhecido como “Mega Lobster”, o empreendimento foi inaugurado em outubro de 2025 e possui capacidade final projetada de 20 MW.

A expansão ocorre em etapas. A previsão é elevar a capacidade inicial de 4 MW para 8 MW até o começo de 2027, acompanhando a demanda de empresas que utilizam serviços de computação em nuvem, inteligência artificial e distribuição de conteúdo digital.

O complexo conta com três andares e dez áreas destinadas à instalação de servidores, além de sistemas de refrigeração, geradores de energia e baterias para manter as operações durante interrupções no fornecimento elétrico.

A Tecto Data Centers, controlada pelo BTG Pactual e ligada à V.tal, também opera outras unidades no Brasil e na Colômbia. A companhia prevê US$ 2 bilhões em investimentos na América Latina entre 2026 e 2028.

Projeto ligado ao TikTok prevê data center de 200 MW no Ceará

Outro empreendimento de grande porte está sendo desenvolvido no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, no Ceará.

A empresa Omnia trabalha na implantação de um data center destinado a atender à ByteDance, controladora do TikTok. A primeira fase do projeto prevê 200 MW de capacidade, com início das operações programado para 2027.

O empreendimento reforça a importância estratégica do Nordeste para grandes empresas de tecnologia, especialmente diante da crescente necessidade de processamento de informações e armazenamento de dados.

A disponibilidade de eletricidade proveniente de fontes renováveis é um dos principais fatores que favorecem a instalação dessas estruturas, conhecidas pelo elevado consumo energético e pela necessidade de operação ininterrupta.

Energia solar e eólica impulsionam expansão do setor

A presença de grandes parques solares e eólicos tornou o Nordeste uma região estratégica para empresas que buscam ampliar a infraestrutura digital utilizando energia de fontes renováveis.

O crescimento dos data centers também pode representar uma nova fonte de demanda para o setor elétrico, que enfrenta dificuldades para aproveitar toda a energia produzida em determinados períodos.

Em algumas situações, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) determina a redução da geração em usinas solares e eólicas por limitações na transmissão ou excesso de oferta de eletricidade.

Com maior consumo local, grandes centros de processamento de dados podem ajudar a aproveitar parte dessa capacidade, reduzindo a necessidade de cortes na geração.

Entretanto, a expansão também exige investimentos em linhas de transmissão e medidas regulatórias para garantir o atendimento à nova demanda sem comprometer o abastecimento dos demais consumidores.

Mercado de data centers ganha incentivos e acompanha crescimento regional

O avanço da infraestrutura digital também recebe estímulos do Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata), sancionado em setembro de 2026, que estabelece incentivos para a implantação e ampliação desses empreendimentos.

As perspectivas para o setor acompanham o crescimento econômico do Nordeste. Projeção da Tendências Consultoria aponta expansão média de 3,3% ao ano para a economia regional entre 2028 e 2035, acima dos 2,4% estimados para o Brasil.

Dados do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), do Banco do Nordeste, também indicam crescimento regional de 2,5% entre agosto de 2025 e julho de 2026, superior à média nacional de 1,5% no mesmo período.

Com o TFOR3 em expansão e um projeto de 200 MW previsto para o Pecém, o Ceará já reúne empreendimentos de diferentes portes. A combinação de energia renovável, conectividade e novos investimentos amplia a participação do Nordeste na infraestrutura necessária ao crescimento da economia digital brasileira.

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