O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, sinalizou a possibilidade de voltar ao Brasil para uma eventual posse de Flávio Bolsonaro (PL), caso o candidato seja eleito presidente da República. A declaração foi feita na quarta-feira (14), durante a inauguração da embaixada da Colômbia em Jerusalém, quando Netanyahu relembrou sua participação na posse de Jair Bolsonaro, em janeiro de 2019.
Ao comentar as relações de Israel com países aliados, o primeiro-ministro recordou a viagem que realizou ao Brasil para acompanhar o início do governo Bolsonaro e deixou aberta a possibilidade de repetir a visita.
“Quem sabe? Talvez façamos isso novamente”, declarou Netanyahu.
A manifestação ocorre em meio às relações diplomáticas estremecidas entre Israel e o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcadas por divergências sobre a guerra na Faixa de Gaza.
Netanyahu sinaliza possível retorno ao Brasil
Durante a cerimônia em Jerusalém, Netanyahu destacou a importância das relações diplomáticas com países considerados aliados de Israel.
O primeiro-ministro relembrou viagens realizadas à América Latina, incluindo Colômbia, Argentina e México, antes de mencionar sua passagem pelo Brasil para a posse de Jair Bolsonaro.
A possibilidade de uma nova visita foi levantada durante o pronunciamento, mas não houve anúncio oficial de viagem nem confirmação de participação em uma eventual posse de Flávio Bolsonaro.
A referência à família Bolsonaro ocorre durante a disputa presidencial brasileira de 2026, em que Flávio enfrenta Lula.
Também participaram da cerimônia o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Sa’ar; o ministro das Relações Exteriores da Colômbia, Omar Bula Escobar; o prefeito de Jerusalém, Moshe Lion; e representantes diplomáticos.
Relação entre Lula e Israel enfrenta crise diplomática
A aproximação de Netanyahu com a família Bolsonaro contrasta com o desgaste das relações entre Israel e o governo Lula.
As divergências se intensificaram após as críticas do presidente brasileiro às operações militares israelenses na Faixa de Gaza.
Em 2024, Lula comparou a ofensiva militar de Israel ao Holocausto, provocando uma forte reação do governo israelense.
Na ocasião, Netanyahu condenou a declaração, e Israel anunciou que o presidente brasileiro seria considerado persona non grata.
A crise diplomática também envolveu uma reprimenda pública ao embaixador brasileiro em Israel. Posteriormente, o governo brasileiro retirou seu embaixador do país, aprofundando o distanciamento entre Brasília e Jerusalém.
Netanyahu participou da posse de Jair Bolsonaro em 2019
A relação entre Benjamin Netanyahu e Jair Bolsonaro ganhou destaque internacional em dezembro de 2018, quando o primeiro-ministro israelense visitou o Brasil para acompanhar a posse do então presidente eleito.
Netanyahu passou pelo Rio de Janeiro, reuniu-se com Bolsonaro e participou de compromissos antes de seguir para Brasília.
Em 1º de janeiro de 2019, esteve presente na cerimônia de posse presidencial, em um gesto que marcou a aproximação política entre os dois governos.
A parceria teve novos desdobramentos meses depois, quando Jair Bolsonaro realizou uma visita oficial a Israel.
Brasil e Israel firmaram acordos durante o governo Bolsonaro
Em 2019, os governos brasileiro e israelense anunciaram seis acordos de cooperação envolvendo áreas como segurança pública, ciência e tecnologia, defesa e serviços aéreos.
Entre os compromissos estava uma parceria voltada à prevenção e ao combate ao crime organizado.
Parte desses acordos avançou posteriormente no Congresso Nacional.
Em outubro de 2023, a Câmara dos Deputados aprovou três instrumentos de cooperação com Israel, incluindo o acordo na área de segurança pública.
Já o acordo sobre serviços aéreos, firmado em março de 2019, recebeu aprovação definitiva do Congresso Nacional em junho de 2025. O texto estabelece regras para o transporte aéreo de passageiros e cargas entre os dois países.
Possível visita depende do resultado das eleições
A declaração de Netanyahu evidencia a proximidade política que manteve com Jair Bolsonaro e a possibilidade de uma retomada dessa relação caso Flávio Bolsonaro chegue à Presidência da República.
O eventual retorno do primeiro-ministro israelense dependeria do resultado das eleições brasileiras e da definição de uma agenda oficial.
Netanyahu esteve no Brasil para a posse de Jair Bolsonaro em 2019 e, sete anos depois, voltou a mencionar a possibilidade de participar de uma cerimônia semelhante, desta vez envolvendo Flávio Bolsonaro.
Comentários 0