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Na França, papa Leão XIV critica uso da ciência para lucro

A visita de Leão XIV à França começou nesta sexta-feira e seguirá até 28 de setembro | Foto: Divulgação/Vaticano

O papa Leão XIV criticou nesta sexta-feira, 25, o uso da ciência e da tecnologia com foco exclusivo no lucro. O pontífice afirmou, em discurso no Palácio do Eliseu, em Paris, que a consciência e o respeito à dignidade humana devem guiar esses avanços. A declaração ocorreu no primeiro dia de sua visita de quatro dias à França.

O líder da Igreja Católica afirmou que a ciência e a tecnologia podem contribuir para melhorar a vida das pessoas, mas alertou para os riscos quando esses recursos deixam de ser orientados para o bem. Segundo o papa, algumas sociedades correm o risco de transformar esses campos em “empreendimentos lucrativos”.

Papa cita manipulação genética e barriga de aluguel

No discurso, Leão XIV afirmou que a busca por soluções imediatas para o sofrimento pode levar a decisões que, segundo ele, se afastam do bem humano. O pontífice citou a manipulação genética, a barriga de aluguel, o tráfico de órgãos e a chamada “oferta de uma morte programada” entre os exemplos que considera preocupantes.

O papa também afirmou que a proteção da vida deve ser responsabilidade de todos. Para ele, o desenvolvimento científico precisa acompanhar uma reflexão sobre os limites dessas tecnologias e seus efeitos sobre as pessoas.

A fala ocorre em meio ao debate na França sobre a eutanásia e o suicídio assistido. A viagem de Leão XIV inclui encontros com autoridades políticas, representantes da sociedade civil e religiosos.

Inteligência artificial preocupa pontífice

O pontífice também voltou a falar sobre os impactos da inteligência artificial (IA). O Leão XIV afirmou que o avanço tecnológico precisa preservar a liberdade.

Durante o discurso, ele citou a preocupação com um possível “paraíso das máquinas”, expressão usada pelo escritor francês Georges Bernanos. Para o pontífice, a sociedade precisa desenvolver critérios éticos capazes de diferenciar os avanços que contribuem para o bem daqueles que podem causar danos.

O tema já ocupa espaço central no pontificado de Leão XIV. Em maio, o Vaticano publicou a encíclica Magnifica Humanitas, documento que trata dos impactos da IA, da robótica e da digitalização. No texto, o papa defende a ideia de que a tecnologia seja avaliada a partir de seus efeitos sobre a dignidade humana, o bem comum e os grupos mais vulneráveis.

O presidente francês, Emmanuel Macron, também falou sobre o assunto e defendeu a criação de uma “organização internacional” para garantir que os “modelos mais avançados” de IA não acabem “nas mãos de poucos”.

A visita à França começou nesta sexta-feira e seguirá até 28 de setembro. Depois de Paris, o pontífice também passará por Lourdes e Metz. A programação inclui uma missa na Catedral de Notre-Dame e uma celebração para milhares de fiéis na Praça da Concórdia.

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