O advogado e comentarista político André Marsiglia criticou, nesta terça-feira, 9, o contrato entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O acordo previa pagamentos de R$ 129 milhões em três anos, com mensalidades prioritárias de R$ 3,6 milhões a partir de 2024.
“É óbvio que a gente não pode aqui acusar ninguém sem ter as provas ou a conclusão da investigação”, afirma Marsiglia. “Mas é intuitivo para quem nos ouve você suspeitar que alguém não vai receber R$ 3,6 milhões por mês simplesmente para ficar peticionando e porque você tem um saber jurídico muito notável. Haja saber jurídico.”
“Você conhece muito de leis, então você vai receber 3,6 milhões por mês”, continuou o advogado. “R$ 3,5 é um patrimônio, se você pegar três meses recebendo esse valor, você já consegue viver de renda. É uma loucura completa, isso não existe na advocacia, não existe esse tipo de advocacia no mundo real, essa é uma advocacia do mundo irreal.”
As declarações ocorreram durante o programa Oeste Com Elas, de Oeste. Veja:
Marsiglia disse também que contratos dessa natureza geralmente indicam práticas que vão além da atividade jurídica tradicional. “É claro que nisso pressupõe-se, no mínimo em quem contrata, que haja um lobby, que o trabalho envolva interferência política”, afirmou. “E isso precisa acabar no Brasil.”
“A gente está falando do escritório da mulher de um ministro do STF, e um ministro que está há seis anos e meio no protagonismo de tudo que acontece neste país”, ressalta o advogado. “Imagina os ministros que ninguém vê. Espero que isso sirva para a gente ver como funciona um tipo de advocacia neste país, que faz com que a Justiça não funcione para todo mundo de forma igualitária como a Constituição prevê.”
O documento foi encontrado no celular do banqueiro Daniel Vorcaro durante a Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. (PF) A investigação apura uma fraude de R$ 12 bilhões do Master com o Banco de Brasília (BRB) na venda de carteiras de crédito sem lastro.
Vorcaro chegou a ser preso, mas foi solto na semana passada. O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, também é alvo da investigação. O ministro Dias Toffoli decretou sigilo total sobre os autos.
O contrato não detalhava processos nem causas. O texto informava apenas que o escritório deveria representar o Master “onde for necessário”. Documentos internos mostram que o pagamento à banca de Viviane era prioridade absoluta. Segundo a PF, ainda não é possível saber quanto o banco chegou a pagar ao escritório.