O delegado Marcus Vinicius Amim Fernandes, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, foi preso nesta quinta-feira (15) durante uma operação da Polícia Federal que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio.
Amim foi um dos alvos da oitava fase da Operação Unha e Carne, que também resultou na prisão do ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil).
A investigação apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de utilizar empresas do setor de combustíveis para movimentações financeiras irregulares. Segundo informações divulgadas sobre o caso, a rede investigada movimentou mais de R$ 7,6 bilhões ao longo de seis anos. O valor representa a movimentação sob investigação, e não uma quantia já comprovada judicialmente como produto de crime.
Quem é Marcus Amim?
Marcus Vinicius Amim Fernandes é delegado de carreira e ocupou posições importantes na estrutura de segurança pública do Rio de Janeiro.
Antes de assumir o comando da Polícia Civil fluminense, ele presidiu o Departamento de Trânsito do Estado do Rio de Janeiro (Detran-RJ). Posteriormente, exerceu a função de secretário estadual de Polícia Civil entre 2023 e 2024.
A passagem por dois órgãos de grande importância na administração estadual colocou Amim em contato com diferentes setores da segurança pública e da gestão governamental.
O ex-secretário já havia sido alvo de buscas em julho deste ano, durante uma fase anterior da Operação Unha e Carne, quando a Polícia Federal aprofundou a investigação sobre a atuação de agentes públicos e empresários no suposto esquema.
PF investiga lavagem de dinheiro em postos de combustíveis
O centro da investigação é uma rede de postos de combustíveis que, segundo a Polícia Federal, teria sido utilizada para ocultar a origem de recursos e realizar movimentações financeiras suspeitas.
As apurações também alcançam integrantes da Polícia Civil e pessoas que ocuparam cargos políticos no Rio de Janeiro.
Entre os nomes investigados está o inspetor Pablo Russo, que trabalhou com Marcus Amim em diferentes funções e unidades policiais. Segundo a PF, Russo seria o controlador oculto de empresas do setor de combustíveis registradas em nome de terceiros.
A investigação busca esclarecer a relação entre os envolvidos, a origem dos recursos movimentados e a possível participação de agentes públicos nas atividades da organização.
Operação também prendeu Márcio Canella
Além de Marcus Amim, a Polícia Federal prendeu Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual eleito pelo União Brasil.
Canella também havia sido investigado em julho, quando a operação realizou buscas e outras medidas judiciais relacionadas ao suposto esquema.
Na nova fase da investigação, a Justiça autorizou mandados de prisão e de busca e apreensão em diferentes municípios fluminenses, ampliando a apuração sobre a rede de postos e a participação dos suspeitos.
Prisão não representa condenação
A Operação Unha e Carne investiga possíveis crimes relacionados à organização criminosa e à lavagem de dinheiro. As responsabilidades individuais dos investigados ainda dependem da análise das provas e das decisões judiciais.
A prisão de Marcus Amim não representa uma condenação. O caso segue sob investigação, e as suspeitas apontadas pela Polícia Federal deverão ser examinadas no processo judicial.
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