Em meio a uma escalada de tensões militares entre Estados Unidos e Venezuela, o ditador Nicolás Maduro chamou os americanos a se unirem pela paz continental e alertou para o risco de “guerras eternas”.
A fala do venezuelano ocorreu depois de Washington divulgar a Operação Lança do Sul, voltada para enfrentar grupos de “narcoterroristas” e para ampliar o combate ao tráfico de drogas na região.
Em entrevista à CNN, Maduro evitou responder diretamente sobre o receio de uma ofensiva norte-americana. Ele optou por afirmar que está “ocupado com as pessoas e em governar em paz”.
Indagado sobre uma mensagem ao povo dos EUA, declarou: “Unamo-nos pela paz no continente”. “Não mais guerras eternas, não mais guerras injustas, não mais Líbia, não mais Afeganistão”, disse ao canal de notícias.
Presença militar dos EUA e resposta de Maduro
Quando questionado sobre um recado direto ao presidente Donald Trump, Maduro resumiu: “Sim, paz. Sim, paz”. As declarações ocorrem diante do aumento da presença militar dos EUA no Caribe, liderada pelo porta-aviões Gerald Ford, e das ordens do Pentágono para operações sob comando do Comando Militar do Sul, responsável pelas ações norte-americanas na América Latina.
O governo Trump intensificou ações contra o tráfico de drogas, de modo a mobilizar milhares de militares, navios de guerra, caças e a autorizar operações secretas da CIA na Venezuela. O Pentágono confirmou o 20º ataque a embarcações ligadas ao narcotráfico, com quatro mortos e um total de 80 vítimas.
Como resposta, a Venezuela iniciou novos exercícios militares na terça-feira 11, segundo o Ministério da Defesa, com mobilização de 200 mil integrantes das Forças Armadas. Eles usam equipamentos terrestres, navais e de mísseis. Apesar do anúncio, não houve registros de movimentação em Caracas.