Acusado de ordenar tortura de opositores, Maduro se declara inocente nos EUA

Ex-governante venezuelano e Cilia Flores negaram as novas acusações em tribunal de Nova York. Julgamento está marcado para junho de 2027.

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Nicolás Maduro aparece vendado e sob custódia após ser capturado por militares dos Estados Unidos, com uma garrafa de água junto ao corpo.
Nicolás Maduro aparece vendado e sob custódia após operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, em janeiro de 2026. | Foto: Divulgação / Donald Trump / Truth Social

Nicolás Maduro se declarou inocente das acusações de conspirar para torturar opositores políticos na Venezuela. O ex-governante venezuelano compareceu nesta quinta-feira (15) a um tribunal federal em Manhattan, Nova York, acompanhado da mulher, Cilia Flores, que também negou envolvimento nos crimes apontados pela Justiça dos Estados Unidos.

A nova denúncia, formalizada em 8 de outubro, acusa o casal de participar de um plano para perseguir adversários políticos e militares considerados uma ameaça ao governo venezuelano. As acusações foram acrescentadas a um processo criminal que já incluía suspeitas relacionadas ao narcotráfico.

Maduro, de 63 anos, e Cilia, de 69, apresentaram suas declarações diante do juiz federal Alvin Hellerstein. Os dois estão presos nos Estados Unidos desde janeiro de 2026, quando foram capturados em Caracas durante uma operação militar norte-americana ordenada pelo presidente Donald Trump.

Promotores acusam Maduro de ordenar tortura de opositores

Segundo os procuradores do Distrito Sul de Nova York, Maduro teria orientado integrantes do governo venezuelano a torturar adversários políticos e militares suspeitos de conspirar contra sua liderança.

A acusação sustenta que as práticas de repressão tinham como objetivo intimidar dissidentes e preservar o controle político do regime.

Um dos episódios descritos na denúncia remonta a 2014. Naquele ano, Maduro teria ordenado o sequestro de militares para obter informações sobre possíveis opositores. Conforme os promotores, diante da resistência de alguns dos envolvidos, ele teria determinado o aumento da pressão sobre os detidos.

A denúncia também atribui participação a Cilia Flores. Segundo a acusação, ela esteve presente em uma reunião sobre o episódio e rejeitou uma alternativa que previa infiltrar agentes entre os suspeitos.

O processo não afirma que Maduro e Cilia tenham praticado pessoalmente os atos de tortura. A responsabilidade atribuída ao casal está relacionada à suposta participação na organização e nas decisões que teriam permitido esses abusos. As alegações ainda precisam ser examinadas pela Justiça.

Maduro e Cilia podem enfrentar pena mínima de 50 anos

As acusações de tortura ampliaram o processo que já tramitava contra os dois nos Estados Unidos por suspeitas ligadas ao narcotráfico.

De acordo com as informações apresentadas sobre o caso, se forem condenados por todos os crimes imputados, Maduro e Cilia poderão enfrentar uma pena mínima obrigatória de 50 anos de prisão.

O julgamento está previsto para 1º de junho de 2027. Até lá, a defesa poderá contestar as acusações e apresentar seus argumentos ao tribunal.

Casal permanece preso em Nova York desde janeiro

Maduro e Cilia Flores continuam detidos no Centro Metropolitano de Detenção, no Brooklyn, após a operação militar realizada pelos Estados Unidos na Venezuela no início do ano.

O processo ocorre em meio às mudanças políticas vividas pelo país sul-americano. Em setembro, o 40graus noticiou que María Corina Machado enfrentou dificuldades em três tentativas de retornar à Venezuela, segundo sua assessoria.

Com a apresentação das novas acusações, a Justiça norte-americana deverá avaliar tanto os supostos crimes relacionados ao narcotráfico quanto a alegada conspiração para perseguir e torturar opositores políticos.

Maduro e Cilia negam as acusações. Até o momento, não há condenação judicial referente às novas imputações de tortura.

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