A 9 dias do 2º turno, Lula participa da promulgação do fim da escala 6×1

Senado aprovou a proposta por 75 votos a 1; emenda prevê redução gradual da jornada de 44 para 40 horas semanais, sem corte salarial.

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Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante evento público em São Paulo.
Presidente Lula participará da cerimônia de promulgação do fim da escala 6×1 no Congresso Nacional. | Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem presença prevista nesta sexta-feira (16) no Congresso Nacional para a cerimônia de promulgação da emenda constitucional que acaba com a escala de trabalho 6×1. O evento ocorre a apenas nove dias do segundo turno das eleições presidenciais, em meio à campanha de reeleição do petista.

A solenidade foi marcada depois de o Senado aprovar a proposta na quarta-feira (14), com 75 votos favoráveis e apenas um contrário, resultado repetido nos dois turnos de votação. A mudança prevê a redução gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, com dois dias de descanso remunerado e sem redução salarial.

A sessão será conduzida pelo presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP), com participação do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). A presença do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, ainda não havia sido confirmada na programação divulgada.

Lula participa de cerimônia a nove dias do segundo turno

A ida de Lula ao Congresso ocorre em um momento decisivo do calendário eleitoral. O fim da escala 6×1 tornou-se uma das principais bandeiras da campanha do presidente à reeleição, e sua participação na solenidade associa sua imagem à formalização da mudança trabalhista.

Depois do compromisso em Brasília, Lula tem atividades de campanha previstas em Juiz de Fora e Ipatinga, em Minas Gerais.

Apesar da presença do presidente na cerimônia, a promulgação da emenda é atribuição das Mesas da Câmara e do Senado. Por alterar a Constituição, a proposta não depende de sanção presidencial para entrar no ordenamento jurídico.

Senado aprovou fim da escala 6×1 por 75 votos a 1

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 foi aprovada no Senado em duas votações realizadas na quarta-feira (14). Em ambas, o placar foi de 75 votos favoráveis, um contrário e nenhuma abstenção.

O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) foi o único a votar contra a proposta nas duas etapas. Já Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário de Lula na disputa presidencial, votou a favor da mudança nos dois turnos.

As duas votações ocorreram no mesmo dia graças à aprovação de um calendário especial apresentado pela líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), e outros líderes partidários.

O procedimento abreviou prazos regimentais e permitiu concluir a análise sem o intervalo habitual entre os turnos. A proposta já havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados em maio e passado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado em setembro.

Nova jornada de 40 horas será implantada em 14 meses

A emenda estabelece uma transição gradual para o fim da escala 6×1. A jornada máxima semanal, atualmente fixada em 44 horas, será reduzida em duas etapas.

Nos primeiros dois meses após a publicação da emenda, as regras atuais permanecerão durante o período de adaptação. Depois desse prazo, o limite semanal cairá para 42 horas, com a garantia de dois dias de repouso remunerado.

Passados mais 12 meses, a jornada máxima será reduzida para 40 horas semanais, completando a transição de 14 meses.

O limite de oito horas diárias será mantido, assim como a garantia de que a redução da jornada não poderá resultar em corte salarial.

Folgas não precisarão ser consecutivas

O novo modelo prevê dois dias de descanso remunerado por semana, sendo um deles preferencialmente aos domingos. Entretanto, as folgas não precisarão ocorrer em dias consecutivos.

Acordos e convenções coletivas poderão estabelecer mecanismos de compensação da jornada, desde que respeitem a média mensal de dois dias de repouso por semana e assegurem pelo menos uma folga a cada sete dias.

Com a promulgação, a mudança passará a integrar a Constituição. Sua aplicação prática seguirá os prazos de transição previstos na emenda, sem redução dos salários dos trabalhadores abrangidos.

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