A senadora Teresa Leitão (PT-PE) foi nomeada como nova líder do governo no Senado, nesta quinta-feira (25), pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A escolha ocorreu um dia depois do petista determinar o afastamento de Jaques Wagner (PT-BA) do cargo por suspeita de envolvimento no escândalo do Banco Master.
O senador baiano foi alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, na semana passada, por supostamente receber vantagens financeiras para atuar politicamente a favor de interesses do banqueiro Daniel Vorcaro no Congresso.
“Designei a senadora Teresa Leitão (PT-PE) para assumir a liderança do governo no Senado com a missão de articular o debate e a aprovação de projetos de interesse da população brasileira que estão em tramitação, como o fim da escala 6 por 1 e a PEC da Segurança, entre outros”, escreveu Lula em uma rede social ao anunciar a escolha.
Teresa Leitão assume a liderança do governo no Senado com a missão de destravar o andamento de projetos considerados prioritários pelo presidente Lula para a campanha em que tentará a reeleição, entre eles o fim da escala 6×1 e a PEC da Segurança Pública.
As duas propostas estão paradas aguardando andamento do senador Davi Alcolumbre (União-AP), presidente da casa, que está rompido com o governo após a tentativa de Lula de indicar o advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Apesar do rompimento, Alcolumbre prestou solidariedade a Jaques Wagner após a operação da semana passada, defendendo a presunção de inocência até a conclusão das investigações.
Pressão para saída de Wagner
Wagner se reuniu com Lula no final da tarde desta quarta-feira (24) após uma semana da deflagração da nona fase da Operação Compliance Zero. O encontro era aguardado com ansiedade pelo senador e com pressão de alas do PT que defendiam sua saída da liderança do governo no Senado para evitar que o escândalo do Banco Master respingue em Lula na tentativa à reeleição.
“Acabei de ter uma ótima reunião com o Presidente Lula, uma conversa entre amigos, e decidimos, em comum acordo, que me afastarei da liderança do Governo no Senado Federal”, disse o senador, em uma nota divulgada nas redes sociais.
O senador negou ter qualquer relação com Vorcaro e vinha tentando se segurar no cargo com base em seu histórico de amizade com Lula, de muitos anos e de atuar como uma espécie de conselheiro do presidente. Ele chegou a sinalizar que não deixaria a liderança por iniciativa própria, e disse ter recebido a solidariedade de Lula logo após a ação da Polícia Federal.
O presidente, porém, evitou comentar publicamente sobre a situação e o governo não se pronunciou sobre a operação que atingiu em cheio seu principal articulador no Senado.