O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que pretende impedir que os bancos ofereçam mais de um cartão de crédito para cada pessoa. A declaração foi feita na quinta-feira (1º), durante entrevista ao Flow Podcast.
Segundo Lula, a proposta está sendo discutida com o Banco Central e teria como objetivo reduzir o endividamento da população. O presidente também criticou os juros cobrados no cartão de crédito e a oferta de cartões pelas instituições financeiras.
“Nós estamos discutindo com o Banco Central. Nós vamos proibir os bancos de darem mais de um cartão de crédito para as pessoas”, afirmou.
Eu li a notícia no O Globo e achei que era algum equívoco. Mas não, Lula realmente disse que quer limitar cartão de crédito a um por pessoa.
Nem na CHINA existe isso.
É inacreditável pic.twitter.com/frg8P40oCn
— Felipe Leme (@LEME12) October 2, 2026
Lula critica juros do cartão
Durante a entrevista, Lula classificou como excessivas as taxas cobradas no cartão de crédito. Dados do Banco Central mostram que a taxa média do crédito rotativo chegou a 449,4% ao ano em agosto.
O presidente também reclamou da oferta de cartões que, segundo ele, são enviados pelos bancos mesmo sem solicitação dos clientes.
“Os bancos hoje distribuem cartão de crédito sem saber se você quer. Eles mandam para você”, disse Lula.
O presidente citou ainda o caso de uma pessoa que teria recebido quatro cartões e acumulado uma dívida de R$ 80 mil.
Endividamento das famílias
A discussão sobre os cartões ocorre em meio ao elevado nível de endividamento das famílias brasileiras. Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC), o percentual de famílias endividadas chegou a 82% em julho.
Dados do Tesouro Nacional citados pela Revista Oeste apontam ainda 83,9 milhões de brasileiros negativados.
De acordo com levantamento da Serasa, bancos e cartões de crédito concentram 27,2% das dívidas dos consumidores. Em seguida aparecem contas básicas, como água, luz e gás, com 21,3%.
Desenrola 3.0
Na entrevista, Lula também mencionou o Desenrola 3.0, lançado em setembro. O programa prevê a possibilidade de a União comprar, por meio de leilão, carteiras de dívidas inadimplentes e repassar aos devedores os descontos obtidos.
“Vamos ter que moralizar essa questão de crédito. Não é possível permitir a sociedade se endividar de forma irresponsável”, afirmou o presidente.