O 16º Congresso do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), realizado em Brasília, contou com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ressaltou a importância de a esquerda avaliar o crescimento da chamada “extrema direita” no cenário internacional e examinar possíveis equívocos cometidos pelo próprio campo progressista. O petista também elogiou o ditador venezuelano Hugo Chávez.
Durante seu discurso de abertura no evento, Lula chamou a atenção para a necessidade de autocrítica na esquerda diante do avanço de forças conservadoras. “Por que a extrema direita cresceu tanto no mundo e o setor progressista diminuiu?”, afirmou. “Muitas vezes, a gente costuma jogar culpa nos outros e a gente não pensa se a gente errou, se a gente não errou, o que a gente deixou de fazer ou não deixou de fazer.”
Integração regional e os desafios atuais

Ao abordar a integração regional, Lula relembrou o período em que atuou ao lado de figuras de esquerda. Entre elas, Cristina Fernández, da Argentina; Tabaré Vázquez e José Mujica, do Uruguai; Evo Morales, da Bolívia; e Hugo Chávez, da Venezuela.
O presidente considerou a criação da Unasul, em 2008, como um marco na cooperação sul-americana e classificou aquele momento como o mais relevante em cinco séculos de história.
“E eu tive o prazer de conviver com Cristina, com Tabaré, com Mujica, com Evo Morales, com Hugo Chávez…”, disse Lula. “Nós tínhamos criado a Unasul, que foi o melhor momento político da América do Sul em 500 anos de história […] Isso acabou, e não é fácil reconstruir.”
Lula ainda usou o espaço para criticar o ex-presidente Jair Bolsonaro, a quem chamou de figura politicamente grosseira, e mencionou que fenômenos semelhantes ocorrem em outros países do Hemisfério Sul e da Europa. “Como se explica uma figura politicamente grotesca como Bolsonaro ser eleito presidente?”, indagou. “Isso acontece em outros países do Sul e na Europa também,”
Políticos que acompanharam Lula
A cerimônia de abertura foi marcada pela presença de ministros e representantes de partidos aliados, como Luciana Santos, da Ciência e Tecnologia, presidente do PCdoB; Alexandre Silveira, de Minas e Energia; Gleisi Hoffmann, das Relações Institucionais; Sidônio Palmeira, da Comunicação Social; Edinho Silva, presidente do PT; João Campos, prefeito do Recife; Taliria Petrone, líder do Psol na Câmara; e Paulo Lamarc, presidente da Rede Sustentabilidade.
O congresso, que segue até 19 de outubro, reúne aproximadamente 600 delegados e deve confirmar a recondução de Luciana Santos ao comando do PCdoB. Nos encontros, o partido homenageia vítimas do período do regime militar, com menções sobre ser uma das agremiações mais perseguidas a partir de 1964.