O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que não sabia que o Bolsa Família estava havia três anos sem reajuste para compensar a inflação. A declaração foi dada nesta quinta-feira (15), durante entrevista à jornalista Renata Lo Prete, no Jornal Nacional, da TV Globo. O petista classificou a ausência de correção como “inexplicável”, embora o problema tenha se prolongado durante seu próprio governo.
O reconhecimento ocorre depois de o governo anunciar, em 17 de setembro, um reajuste de 15,04% no benefício. A decisão foi divulgada apenas 17 dias antes do primeiro turno das eleições presidenciais, realizado em 4 de outubro.
Com o aumento, o valor mínimo mensal do Bolsa Família passou de R$ 600 para R$ 691. A correção corresponde à inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), acumulada entre março de 2023 e agosto de 2026.
Lula diz que desconhecia falta de reajuste durante seu governo
Questionado sobre a demora na correção do benefício, Lula afirmou que desconhecia a situação e demonstrou surpresa com a ausência de reajuste.
Durante a entrevista, o presidente considerou impensável que o programa permanecesse sem reposição inflacionária em sua administração. Em seguida, reconheceu que o problema havia ocorrido e afirmou ter determinado a mudança.
“É impensável, mas aconteceu”, disse Lula, ao comentar o período sem correção.
De acordo com a Revista Oeste, o último aumento anterior do benefício havia ocorrido durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A declaração de Lula chama atenção pelo intervalo entre o início de seu mandato e a decisão de atualizar os valores. O reajuste só foi anunciado em setembro de 2026, quando o presidente já disputava a reeleição.
Aumento do Bolsa Família foi anunciado às vésperas da eleição
O anúncio da correção ocorreu em 17 de setembro, a pouco mais de duas semanas do primeiro turno presidencial.
A atualização de 15,04% recompôs a inflação acumulada desde março de 2023, elevando o piso do programa social para R$ 691. Os novos valores passaram a produzir efeitos na folha de pagamentos de outubro.
Até o anúncio, a equipe econômica do governo havia sinalizado que não haveria reajuste do benefício no ano seguinte, informação que constava das projeções utilizadas na elaboração do Orçamento de 2027.
A decisão anunciada em setembro exigiu mudanças nas contas federais, uma vez que o projeto orçamentário já havia sido encaminhado ao Congresso Nacional cerca de duas semanas antes.
Reajuste terá impacto de R$ 22 bilhões em 2027
Segundo o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, a correção do Bolsa Família terá custo estimado de R$ 5,8 bilhões ainda em 2026, considerando os pagamentos a partir de outubro.
Para 2027, a previsão é de um impacto de aproximadamente R$ 22 bilhões nas despesas federais.
O governo precisou, portanto, rever o projeto da Lei Orçamentária Anual de 2027 para acomodar o aumento anunciado em meio ao calendário eleitoral.
Na entrevista, Lula afirmou que havia espaço fiscal para a medida e citou a previsão de superávit primário. A proposta orçamentária apresentada pelo governo estimava receitas de R$ 3,46 trilhões, despesas primárias de R$ 2,83 trilhões e resultado positivo de R$ 18,6 bilhões.
O presidente também afirmou ter dedicado parte de seu mandato à recuperação das contas e dos serviços públicos.
O reajuste, entretanto, foi anunciado somente depois de mais de três anos sem reposição inflacionária no Bolsa Família e a 17 dias da votação do primeiro turno. A medida, inicialmente ausente das projeções para 2027, passou a representar uma despesa adicional estimada em R$ 22 bilhões no próximo ano.
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