Encenação de humildade? Lula diz não ter dinheiro para celular e promete usar o de Janja

Ao lado de André Janones, presidente promete pegar o celular de Janja emprestado caso o “Exército do Lula”, no WhatsApp, alcance 5 milhões de participantes.

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Presidente Lula de terno escuro e gravata, com as mãos juntas, diante de microfones e fundo com as cores da bandeira brasileira.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou não ter dinheiro para comprar um celular durante ação de mobilização eleitoral com André Janones. | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou não ter dinheiro para comprar um celular durante um vídeo divulgado nesta quinta-feira (15), ao lado do deputado federal André Janones (Rede-MG). A declaração ocorreu em uma ação de mobilização eleitoral destinada a ampliar o número de participantes do canal “Exército do Lula”, no WhatsApp.

Na gravação, o presidente condiciona sua entrada na comunidade à marca de 5 milhões de integrantes e afirma que, caso a meta seja alcançada, utilizará o aparelho da primeira-dama, Janja da Silva.

Ao explicar que não compraria um telefone para participar do canal, Lula declarou:

“Não, eu não vou comprar, porque eu não tenho dinheiro, eu vou pegar o da Janja emprestado e vou entrar.”

A alegação de falta de dinheiro aparece justamente em uma peça de divulgação da campanha de reeleição. O presidente não apresentou, na gravação, informações sobre sua situação financeira que permitissem verificar a afirmação.

Promessa de Lula busca ampliar canal administrado por Janones

O vídeo integra uma iniciativa de André Janones para aumentar a participação no “Exército do Lula”, comunidade utilizada para mobilizar apoiadores e distribuir orientações relacionadas à campanha presidencial.

Segundo os números divulgados nesta quinta-feira, o canal reunia aproximadamente 4,4 milhões de participantes. Para atingir a meta anunciada de 5 milhões, seria necessário conquistar cerca de 600 mil novas adesões.

Durante a gravação, Lula também convocou os apoiadores a transformar a comunidade no “maior exército do mundo”, reforçando a importância atribuída pela campanha à mobilização nas plataformas digitais.

A iniciativa acontece na reta final do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, quando as campanhas intensificam a divulgação de mensagens e a busca por engajamento nas redes sociais.

Canal de WhatsApp enfrentou suspensões no TSE

A nova campanha de adesões ocorre poucos dias depois de decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que provocaram a suspensão e o posterior restabelecimento do canal.

Na terça-feira (13), o presidente do tribunal, ministro Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão da comunidade devido à ausência de comunicação formal de seu endereço eletrônico à Justiça Eleitoral.

Na noite de quarta-feira (14), o ministro autorizou novamente o funcionamento da ferramenta, após a regularização dos registros exigidos. A decisão permitiu a continuidade das atividades de mobilização no WhatsApp.

Janones admitiu ter apagado mais de 500 mensagens

O canal também esteve envolvido em uma controvérsia sobre a exclusão de publicações utilizadas na mobilização de apoiadores.

Conforme noticiou o 40graus, André Janones admitiu ter apagado mais de 500 mensagens do “Exército do Lula”. O deputado explicou que removia conteúdos depois que os participantes cumpriam tarefas de divulgação da campanha nas redes sociais.

Janones negou que as exclusões tivessem como objetivo ocultar notícias falsas. A campanha de Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula no segundo turno, havia questionado a atuação do canal perante a Justiça Eleitoral.

Agora, com a comunidade novamente em funcionamento, a promessa de Lula de utilizar o celular de Janja passou a integrar a estratégia de Janones para alcançar os 5 milhões de participantes.

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