O presidente Lula recebe hoje (31) banqueiros e grandes empresários para um jantar no Palácio da Alvorada, em Brasília. O encontro ocorre em meio à tentativa da campanha petista de ampliar a interlocução com o setor privado e reduzir a resistência de representantes do mercado à candidatura à reeleição.
A reunião foi organizada pelo presidente do PT e coordenador da campanha, Edinho Silva. Cerca de 20 representantes de grandes empresas e instituições financeiras devem participar. Entre os convidados estão Joesley e Wesley Batista, da J&F; Rubens Ometto, da Cosan; José Seripieri Filho, da Amil; Luiz Carlos Trabuco, do Bradesco; André Esteves, do BTG; e Milton Maluhy Filho, do Itaú.
O jantar ocorre quatro dias depois de Flávio Bolsonaro (PL) se reunir com empresários e banqueiros em São Paulo. Parte dos convidados de Lula esteve no encontro com o senador. Aliados do presidente afirmam que a reunião já estava sendo planejada, mas reportagens apontam que a movimentação de Flávio provocou incômodo no entorno do petista.
Entre os nomes que participaram do encontro com Flávio estão André Esteves, Milton Maluhy Filho e Luiz Carlos Trabuco. Trabuco, que integra o Conselhão do governo, também recebeu o senador na sede do Bradesco.
Pressão sobre a situação fiscal
A aproximação ocorre em meio às cobranças do setor privado por medidas para conter o avanço da dívida pública e controlar os gastos. A relação entre dívida e PIB está em torno de 82%, segundo os dados citados nas reportagens sobre o encontro.
A campanha de Lula pretende apresentar aos empresários sinais de compromisso com a responsabilidade fiscal. Entre os temas que devem ser discutidos estão a redução de supersalários no setor público, a revisão do volume de emendas e uma eventual reforma administrativa. O governo também pretende estimular investimentos privados em áreas como minerais críticos e inteligência artificial.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, tem atuado nas conversas do governo com representantes do mercado e deve participar do jantar. O vice-presidente Geraldo Alckmin também é esperado.
A preocupação com a política fiscal aumentou depois de declarações de integrantes da equipe responsável pelo programa de governo de Lula. O ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli defendeu mudanças para ampliar investimentos e gastos sociais. A campanha, porém, passou a reforçar que pretende manter o arcabouço fiscal em um eventual quarto mandato.
Na quinta-feira (27), durante sabatina na TV Globo, Lula afirmou não estar preocupado com o crescimento da dívida pública e disse considerar seu governo responsável do ponto de vista fiscal.
Encontro maior em São Paulo
O jantar no Alvorada pode ser seguido por uma reunião mais ampla em São Paulo. A previsão é reunir até 200 empresários de diferentes setores da economia.
A campanha petista tenta ampliar a relação com representantes do setor privado em um momento em que Flávio Bolsonaro busca ocupar espaço entre empresários e integrantes do mercado financeiro.
Aliados de Lula defendem que o presidente utilize o encontro para ouvir avaliações sobre a economia e as eleições e apresentar compromissos para um eventual novo mandato.
Há ainda preocupação dentro da campanha com o uso do Palácio da Alvorada para uma agenda que tenha caráter eleitoral. Integrantes do grupo jurídico de Lula defendem que futuros encontros com empresários sejam realizados fora da residência oficial para evitar novos questionamentos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).