O livro Hostage (em tradução, “Refém”), do israelense Eli Sharabi, alcançou um novo marco ao integrar a lista dos cem melhores livros de 2025 da revista Time. A obra retrata, em detalhes, o período de 491 dias em que Sharabi viveu sob o controle do Hamas e rapidamente se tornou um fenômeno editorial no exterior.
A edição em inglês, publicada pela HarperCollins, chegou ao quarto lugar na lista de mais vendidos do The New York Times em apenas uma semana. Em Israel, a versão em hebraico superou 100 mil exemplares vendidos, e traduções em outros idiomas já estão em andamento. A editora Sela Meir, responsável pela publicação original, descreveu o livro como um testemunho de coragem e humanidade diante da dor. Até o momento, nenhuma editora brasileira confirmou a tradução da obra para o português.
Relato íntimo e histórico de vítima do Hamas
O autor revive o sequestro ocorrido em 7 de outubro de 2023, quando foi levado através dos túneis subterrâneos de Gaza, separado da família e mantido em condições precárias. Em meio ao sofrimento, ele descreve os vínculos formados entre os reféns e os pequenos gestos que ajudaram na sobrevivência.
A crítica da Time destacou o valor documental do livro. Hostage é o primeiro relato pessoal sobre o que se seguiu aos ataques de outubro. O texto combina memória e testemunho, revelando as perdas de sua mulher, Lian, das filhas Noya e Yahel e do irmão Yossi.
Sharabi dedica o sucesso da obra à família e aos reféns que ainda aguardam libertação. Ele divide a lista da Time com nomes prestigiados como Margaret Atwood, Patti Smith e a sul-coreana Han Kang, ganhadora do Nobel da Literatura em 2024.
Confira abaixo um trecho do livro, traduzido da versão em inglês:
“Nós descemos uma longa escada, até o subterrâneo. Estou assustado. Todo pesadelo, todo o medo e todos os pensamentos febris descem junto comigo, degrau a degrau. Preparo-me para a completa escuridão, para os túneis do Hamas que vi na TV, aqueles de que ouvi falar. E agora sou eu — eu! — descendo para eles. A qualquer momento agora, a escotilha se fechará sobre mim, e eu estarei enterrado aqui.
A ansiedade consome tudo. Depois de dois minutos tensos de uma cuidadosa descida, chegamos ao fundo, que está a cerca de 30 metros abaixo do solo. A escuridão é total. Os terroristas têm apenas lanternas na cabeça para iluminar o caminho. Nós andamos alguns passos, então descemos um lance de escadas. Mais alguns degraus — outra escadaria. Depois delas, continuamos seguindo, e sinto o chão se inclinando. Estamos ainda mais embaixo da terra.”