Em entrevista à BBC News, publicada nesta segunda-feira, 6, o ex-ministro José Dirceu disse que o ex-presidente Jair Bolsonaro não apresenta condições de saúde para cumprir pena em regime prisional comum.
O Supremo Tribunal Federal condenou Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão. Recentemente, o ex-chefe do Executivo apresentou piora no quadro clínico e cumpre prisão domiciliar há dois meses.
Durante esse período de reclusão em casa, complicações de saúde já levaram Bolsonaro ao hospital três vezes. Dirceu, que passou dois anos e três meses preso, afirmou que a situação dos presídios brasileiros é inadequada para pessoas vulneráveis.
“Acho muito improvável que se possa colocar presos vulneráveis no sistema penitenciário controlado pelo crime organizado”, disse Dirceu à BBC. “As condições são péssimas. E como o estado de saúde dele [Bolsonaro] está se agravando, não vejo como é que ele pode entrar no sistema penitenciário.”
Segundo Dirceu, não é injusto que Bolsonaro cumpra prisão domiciliar. Como exemplo, citou o caso do ex-presidente Fernando Collor. Condenado a oito anos e dez meses de prisão, Collor cumpre pena em casa por causa de problemas de saúde. O ex-presidente apresenta quadros como apneia do sono e Parkinson.
Ao comentar propostas para revisão das penas impostas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, José Dirceu criticou a possibilidade de redução das punições. Para ele, a justificativa para não apoiar a anistia é de que a direita sempre apoiou o endurecimento penal.
“A direita brasileira sempre aplaudiu isso”, disse. “Mas agora ela quer diminuir as penas para aqueles que destruíram o Parlamento brasileiro, a sede do Poder Judiciário e o Palácio do Planalto.”