As Forças de Defesa de Israel (FDI; e, em inglês, IDF) emitiram uma ordem de evacuação para centenas de milhares de palestinos da Faixa de Gaza e de toda a cidade de Gaza. O comunicado, divulgado na manhã desta terça-feira, 9, determina que todos que permanecem na cidade, onde vive quase metade da população da Faixa de Gaza, deixem imediatamente o local, sob o risco de graves consequências.
Até então, as evacuações ordenadas por Israel atingiam apenas regiões específicas da cidade, mas, pela primeira vez, toda a área foi incluída, marcando uma nova fase da ofensiva terrestre. O Exército israelense também mobilizou dezenas de milhares de reservistas para reforçar a operação. Israel enfrenta críticas internacionais pelo agravamento da crise humanitária e protestos internos devido à preocupação com reféns israelenses que ainda estariam em Gaza.
Israel aprovou o controle total da cidade de Gaza
No mês passado, o gabinete de segurança israelense aprovou o controle total da cidade de Gaza, considerada pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu como um dos últimos bastiões do Hamas. Segundo ele, o objetivo é pressionar o grupo a aceitar condições para encerrar o conflito, incluindo o desarmamento, a substituição do comando militante por uma administração civil e a manutenção da presença de segurança de Israel na área.
“Aproveito esta oportunidade para dizer aos moradores de Gaza, ouçam-me com atenção: vocês foram avisados; saiam daí!”, afirmou Netanyahu na segunda-feira 8, dirigindo-se aos palestinos que ainda permanecem na cidade.
O porta-voz do Exército de Israel, Avichay Adraee, publicou em árabe no X orientações à população de Gaza.
De acordo com o exército israelense, já há domínio sobre cerca de 75% da Faixa de Gaza e 40% da cidade de Gaza, com a população se concentrando em áreas cada vez menores. A retirada, porém, enfrenta obstáculos: muitos moradores já foram obrigados a se deslocar várias vezes, vivem em condições precárias e não têm para onde fugir. Segundo Israel, dezenas de milhares já deixaram a cidade depois dos recentes bombardeios, mas parte da população diz que pretende permanecer.
Desafios humanitários e insegurança
As Forças Armadas orientaram os civis a se dirigirem ao sul, para acampamentos de al-Mawasi e Khan Younis, onde estão as zonas humanitárias. Israel informou ter ampliado o envio de suprimentos para essas áreas. Apesar de designar zonas seguras, Israel admitiu ter realizado bombardeios nessas regiões ao longo do conflito, alegando que os alvos eram militantes, o que faz muitos palestinos temerem não haver local seguro no enclave.
O Hamas dá ordem em sentido contrário — manda que a população fique em Gaza, justamente para poder usar as pessoas como escudos humanos e impedir o avanço de Israel.
Incursões de Israel em Gaza
Esta não é a primeira incursão israelense na cidade de Gaza desde o início da guerra, desencadeada pelos ataques terroristas do Hamas em 7 de outubro de 2023. Israel já havia invadido a cidade nos meses iniciais do conflito, mas agora declara intenção de manter o controle do território conquistado.
Mesmo com a maior parte da liderança do Hamas eliminada e suas brigadas enfraquecidas, o grupo ainda adota táticas de guerrilha. Na segunda-feira 8, militantes lançaram um explosivo contra um tanque israelense no bairro de Sheikh Radwan, matando quatro soldados, segundo informações militares.