A inflação oficial do Brasil subiu 0,82% em setembro de 2026 e superou as expectativas do mercado financeiro. O resultado, divulgado nesta sexta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), interrompeu a queda de 0,32% registrada em agosto e levou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) a 4,58% no acumulado de 12 meses.
O avanço foi maior do que o esperado pelos analistas, que projetavam alta mensal de 0,73% e inflação anual de 4,5%. No acumulado de janeiro a setembro, os preços já subiram 3,95%.
Com o novo resultado, a inflação em 12 meses ultrapassou o teto de 4,5% estabelecido para a meta do Banco Central. O índice também acelerou em relação aos 4,22% registrados na comparação anual de agosto.
Habitação lidera alta, e todos os grupos registram aumento de preços
O encarecimento das despesas com moradia foi o principal destaque do levantamento de setembro. O grupo habitação registrou inflação de 2,31%, a maior variação entre os nove conjuntos de produtos e serviços acompanhados pelo IBGE.
Transportes apresentaram alta de 0,89%, enquanto alimentação e bebidas avançaram 0,83%. As passagens aéreas ficaram 9,66% mais caras, e os combustíveis registraram aumento de 1,41%.
O resultado mostrou uma elevação disseminada dos preços: nenhum dos nove grupos pesquisados apresentou queda em setembro.
Veja a inflação de setembro por grupo de despesas
| Grupo | Variação |
|---|---|
| Habitação | +2,31% |
| Transportes | +0,89% |
| Alimentação e bebidas | +0,83% |
| Vestuário | +0,71% |
| Comunicação | +0,64% |
| Artigos de residência | +0,27% |
| Despesas pessoais | +0,26% |
| Saúde e cuidados pessoais | +0,08% |
| Educação | +0,04% |
Inflação acima da meta dificulta novos cortes nos juros
O resultado de setembro aumenta a preocupação com a trajetória dos preços e reduz a margem do Banco Central para continuar diminuindo a taxa básica de juros, a Selic.
A meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Isso estabelece um limite superior de 4,5%, superado pelo resultado acumulado em 12 meses.
As projeções reunidas no Relatório Focus indicam que a inflação poderá encerrar 2026 em 5,01%, acima desse limite. Para 2027, a estimativa é de 4,3%.
O economista Felipe Rodrigo de Oliveira, economista-chefe da MAG Investimentos, avalia que a aceleração dos preços demonstra perda de força do processo de desaceleração inflacionária observado anteriormente.
Segundo ele, a alta simultânea de todos os grupos de despesas mostra que a pressão inflacionária continua espalhada pela economia, dificultando uma redução mais expressiva dos juros no curto prazo.
Economistas veem risco de pausa na redução da Selic
Para Roberto Luis Troster, coordenador do Centro de Estudos Fipe do Endividamento das Empresas Brasileiras, a inflação de serviços continua resistente, mesmo diante dos sinais anteriores de desaceleração dos preços.
O economista considera possível que o Comitê de Política Monetária (Copom) interrompa temporariamente o ciclo de cortes da Selic na reunião marcada para os dias 3 e 4 de novembro.
Troster também avalia que a persistência da inflação poderá manter as condições de crédito mais restritivas para empresas e consumidores.
Já Pablo Spyer, conselheiro da Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias (Ancord), afirma que o mercado financeiro acompanha simultaneamente a inflação e o cenário eleitoral.
Na avaliação dele, a recente queda do dólar está relacionada, entre outros fatores, à expectativa de mudanças na política econômica, com maior controle dos gastos públicos e da dívida.
Spyer ressalta, entretanto, que uma eventual continuidade dos cortes de juros dependerá de medidas concretas e de sinais mais consistentes de redução da inflação.
Alta dos preços coloca inflação novamente no centro das preocupações
O IPCA acompanha a variação de preços de produtos e serviços consumidos por famílias com rendimentos de um a 40 salários mínimos. O levantamento considera informações de regiões metropolitanas e municípios de diferentes partes do país.
Para calcular o resultado de setembro, o IBGE comparou os preços coletados entre 1º e 29 de setembro com os registrados entre 31 de julho e 31 de agosto.
Depois da deflação registrada em agosto, a alta de 0,82% em setembro reforça as dificuldades para manter os preços dentro da meta. Com a inflação acumulada em 12 meses em 4,58% e as expectativas para o fim do ano acima do limite estabelecido, as próximas decisões do Banco Central ganham peso adicional.
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