O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), rebateu as críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Congresso Nacional. Durante um evento no Rio de Janeiro, o petista afirmou que o Parlamento “nunca teve um nível tão baixo” e classificou a direita eleita em 2022 como “o que existe de pior”.
“Quando o presidente se referiu ao Congresso, acredito que sua crítica tenha sido mais direcionada à ‘extrema direita’”, disse Motta. “Se, no entanto, ele quis se referir ao Congresso como um todo, eu discordo plenamente, porque foi um Congresso que aprovou quase tudo o que o governo enviou — claro, com modificações —, mas que esteve ao lado, principalmente, da agenda econômica do governo.”
Para Motta, a polarização política tem ampliado os embates entre o Executivo e o Legislativo. “Temos visto parlamentares fazerem críticas muito duras ao governo”, disse. “Acredito que, por o presidente vir de um partido de esquerda e haver uma extrema direita bastante combativa, essa polarização tem levado as críticas a extrapolar o tom em vários momentos.”
Hugo Motta diz que “discursos extremos” podem comprometer trabalho da Câmara

O parlamentar também alertou para os riscos de “narrativas radicais”. Destacou, nesse sentido, a importância de manter tranquilidade e equilíbrio para não se deixar levar por discursos de nenhum dos extremos, o que poderia comprometer a isenção necessária na condução dos trabalhos da Câmara dos Deputados
Antes das críticas, Hugo Motta foi vaiado pelo público por causa do projeto de anistia a condenados pelos atos de 8 de janeiro. Lula, na sequência, levantou-se e demonstrou apoio ao presidente da Câmara.
O discurso de Lula ocorreu durante cerimônia em homenagem ao Dia dos Professores, ocasião em que o presidente da República criticou a atuação de parlamentares da direita, citando nominalmente Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na mesma solenidade, Lula afirmou que “o país não pode permitir que a direita volte ao poder” e incentivou a participação de cidadãos insatisfeitos na política “para mudar o futuro do país”.