Um grupo pró-Palestina tenta impedir que o Canadá promova um dos seus mais tradicionais eventos aéreos, que ocorre desde 1946. O Toronto Air & Water Show começou neste sábado, 30, e deve terminar nesta segunda-feira, 1º de setembro. A atração faz parte das homenagens ao Dia do Trabalho.
A organização sugeriu que manifestantes lancem drones para interromper o evento. A entidade World Beyond War (WBW) se apresenta como um movimento que busca “mobilizar pessoas a agirem contra a violência militar canadense em todo o mundo, em solidariedade com as populações afetadas por guerras”. A WBW, aliás, critica as ações dos Estados Unidos ao tentarem combater o narcotráfico, na Venezuela, em razão da ditadura de Nicolás Maduro.
Grupo é contra uso de jatos militares
Em seus protestos, presentes principalmente nas redes sociais, o grupo acusa os organizadores do Toronto Air & Water Show, um dos mais tradicionais da América do Norte, de propaganda para a fabricante de aeronaves Lockheed Martin, de constrangerem imigrantes e refugiados e de perturbarem bairros, animais e o meio ambiente.
Um dos principais alvos das críticas é a demonstração do caça F-35A Lightning II, sob fabricação da Lockheed Martin. O avião faz parte da frota da Real Força Aérea Canadense (RCAF), responsável pela organização do evento. Israel usou o mesmo modelo em operações no Irã, na Síria e na Faixa de Gaza.
Segundo a World Beyond War, o ruído do caça causa estresse e desperta lembranças traumáticas em refugiados vindos de Gaza. O grupo também criticou a participação do CF-18 Hornet, embora a aeronave não tenha histórico de atuação em operações na região palestina.
O tom do protesto, no entanto, ganhou contornos mais polêmicos neste domingo, 31, quando a organização publicou em seus stories no Instagram que a região do evento é restrita ao uso de drones por razões de segurança aérea. O texto foi acompanhado da frase “bom saber”, interpretada como uma sugestão de que drones poderiam interromper as apresentações.
Especialistas revelam que esse tipo de mensagem pode ser entendido como apologia a práticas terroristas contra a aviação civil. A proibição de drones em áreas de demonstrações aéreas está diretamente ligada à segurança, já que o uso indevido desses equipamentos representa risco de colisão. Situações semelhantes foram registradas em Seattle, nos Estados Unidos, mas acabaram recebidas com ironia por pilotos e parte da comunidade local