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Gritos marcam busca por vítimas de terremotos na Venezuela

Gritos marcam busca por vítimas de terremotos na Venezuela

Horas após os dois fortes terremotos de magnitude 7,5 e 7,2 causarem destruição na Venezuela, moradores de La Guaira, na costa central do país, a região mais afetada pelos tremores, passaram a cavar os escombros com as próprias mãos, usando pás e ferramentas improvisadas, enquanto cobravam a chegada de mais equipes oficiais de resgate.

Segundo a agência EFE, centenas de habitantes da região reclamaram nesta quinta-feira (25) da falta de funcionários da Defesa Civil e de outros órgãos de segurança para ajudar na busca por pessoas presas sob prédios que desabaram após os tremores registrados na quarta-feira (24).

Em La Guaira, vários edifícios colapsaram, enquanto alguns outros ficaram bastante danificados com fumaça branca saindo dos escombros. Moradores relataram gritos constantes de pessoas procurando familiares desaparecidos.

O trabalho de busca na região está sendo executado pelos próprios civis, utilizando pás e até as mãos para mecer nos escombros. Ainda tem diversos corpos espalhados pelas ruas.

A moradora Gabriela Pérez, funcionária pública e residente de um edifício da estatal Misión Vivienda, disse à EFE que a La Guaira ainda não havia recebido ajuda adequada para os serviços de resgate. Ela afirmou que moradores estão tentando retirar pessoas dos prédios por conta própria em meio aos incêndios que foram provocados por botijões de gás.

Pérez também criticou a atuação de autoridades no local. Segundo ela, havia funcionários tirando fotos, mas sem entrar nos escombros para ajudar.

A EFE informou que conseguiu acompanhar o resgate de duas pessoas feridas na região, uma mulher chamada Mayra e uma criança. A agência também constatou a retirada de ao menos três corpos na mesma localidade.

Em Playa Grande, outra área duramente afetada pelos terremotos, uma equipe de bombeiros chegou com cerca de dez agentes e equipamentos básicos de resgate. No local, conforme a EFE, os corpos de pelo menos três mulheres e de uma menina de dois anos estavam ao lado de um prédio com risco de desabamento total.

O balanço oficial divulgado pelo presidente da Assembleia Nacional chavista, Jorge Rodríguez, elevou nesta quinta-feira para 188 o número de mortos devido aos tremores. Segundo ele, 1.520 pessoas ficaram feridas, mais de 200 continuavam presas sob os escombros e 157 estavam desaparecidas.

De acordo com Rodríguez, 2.927 famílias foram afetadas pelos terremotos. Ao menos 250 edifícios foram danificados ou destruídos, incluindo imóveis em Caraballeda e Playa Grande, duas das localidades mais atingidas em La Guaira.

O balanço também aponta danos em oito hospitais, 20 centros comerciais e 46 obras de infraestrutura pública. Segundo o regime chavista, alguns hospitais precisaram ser evacuados, e pacientes foram transferidos para outras unidades de saúde.

A emergência também provocou deslocamento de moradores para as ruas. Segundo a CNN, muitas pessoas preferiram dormir fora de suas residenciais por medo de novos desabamentos.

A Cruz Vermelha Venezuelana informou que as necessidades mais urgentes neste momento incluem abrigos emergenciais para famílias que perderam suas casas, atendimento médico, apoio psicológico, água potável, saneamento e itens básicos de uso doméstico. A falta de comida também já começou a afetar os moradores e voluntários de resgate.

Em meio à destruição, conselhos locais começaram a organizar abrigos em escolas e estádios de beisebol para evitar que moradores passem a noite nas ruas. Segundo a CNN, alguns prédios públicos também foram transformados em pontos de coleta de suprimentos.

Imagens de satélite divulgadas pela empresa Vantor mostram danos extensos em La Guaira. De acordo com a CNN, as imagens indicam prédios residenciais desabados, danos estruturais em hotéis e armazéns, além de sinais de incêndio em parte das áreas atingidas. A falta de energia e de internet também tem dificultado a comunicação entre famílias e autoridades.

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