Produzida a pedido do Lula, a fotografia apresentada pela campanha para o registro da candidatura à reeleição, em que o petista aparece usando um chapéu panamá, passou a preocupar aliados diante da possibilidade de questionamentos no TSE, segundo informações do O Globo. Se a imagem for mantida, será a primeira vez que Lula aparecerá na urna eletrônica utilizando um adereço em suas sete disputas eleitorais.
O presidente passou a usar o chapéu após retirar um câncer de pele, em abril, por orientação médica. Depois da cirurgia, Lula permaneceu com um curativo na cabeça e foi submetido a 15 sessões de radioterapia. Desde então, adotou o acessório para proteger a região da exposição ao sol. O item passou a fazer parte de sua rotina no Palácio do Planalto e também foi utilizado no pronunciamento oficial do Dia do Trabalhador, em 1º de maio.
Embora o uso de adereços em fotografias de urna seja incomum, integrantes da campanha afirmam ter identificado precedentes na Justiça Eleitoral que podem sustentar a manutenção da imagem caso haja contestação.
O principal precedente citado ocorreu nas eleições de 2022. Na ocasião, o TSE autorizou o então candidato a deputado federal Douglas Belchior (PT-SP) a utilizar uma fotografia de urna em que aparecia usando um boné de aba reta.
Inicialmente, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo havia rejeitado a imagem sob o entendimento de que o boné seria apenas um “elemento cênico”. A decisão, porém, foi reformada pelo Tribunal Superior Eleitoral após recurso da defesa do candidato.
Ao analisar o caso, o TSE concluiu que, apesar da discussão sobre a diferença entre adorno e indumentária, o uso do boné “neste caso específico, não atrapalha a visualização do seu rosto nem dificulta o seu reconhecimento pelo eleitor”, atendendo aos requisitos exigidos pela Justiça Eleitoral para fotografias de candidatos.
Com base nesse entendimento, a campanha de Lula considera que o uso do chapéu panamá, adotado por recomendação médica durante o tratamento de saúde do presidente, poderá ser defendido caso a fotografia seja alvo de questionamentos perante a Justiça Eleitoral.