Flávio cobra Lula sobre Lulinha e cita Moro e Deltan: ‘Quem te prendeu está aqui’

Senador confronta o presidente sobre o escândalo do INSS, defende medidas contra facções e reage ao insulto “malandro carioca” na Band.

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Flávio Bolsonaro, de terno azul, gesticula com as duas mãos enquanto Lula, de terno escuro e gravata verde e amarela, sorri ao seu lado no palco do debate da Band.
Flávio Bolsonaro e Lula durante o debate presidencial da Band, neste domingo (18). | Foto: Renato Pizzutto/Band

Flávio Bolsonaro (PL) confrontou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o escândalo de descontos indevidos em aposentadorias e pensões, cobrou explicações sobre Lulinha e ainda provocou o petista ao mencionar Sergio Moro e Deltan Dallagnol durante o primeiro debate presidencial do segundo turno. No confronto realizado pela Band neste domingo (18), em São Paulo, o senador lembrou a atuação dos dois na Operação Lava Jato e fez referência à prisão de Lula.

O embate também teve acusações envolvendo o Banco Master, divergências sobre segurança pública e saúde e ataques pessoais. Lula chamou Flávio de “miliciano” e “malandro carioca”. O candidato do PL reagiu à última expressão, criticando o presidente por associar os cariocas à malandragem. Nas considerações finais, gritos e manifestações das duas comitivas chegaram a interromper o programa.

Flávio cobra Lula sobre Lulinha e o escândalo do INSS

O confronto sobre corrupção começou quando Lula questionou o histórico de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, mencionando um voto contrário à ampliação da licença-maternidade. O senador respondeu cobrando explicações sobre as relações de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, com a lobista Roberta Luchsinger.

Lulinha e Roberta são citados nas investigações relacionadas ao esquema de descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Diante das câmeras, Flávio acusou o filho do presidente de permanecer na Espanha para fugir das investigações e questionou a atuação da Polícia Federal no caso.

Lula afirmou que não conhece Roberta Luchsinger e disse que cabe à Polícia Federal investigar a lobista. O presidente também declarou que Lulinha disponibilizou informações bancárias e telefônicas para apuração.

Na troca de acusações, o petista responsabilizou a gestão de Jair Bolsonaro por ter abrigado integrantes da organização envolvida nas fraudes previdenciárias. Flávio rebateu, atribuindo ao governo do PT a responsabilidade pelo esquema que atingiu aposentados e pensionistas.

O embate avançou quando Lula citou Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, acusando-o de atuar contra os interesses brasileiros nos Estados Unidos. O senador manteve as cobranças sobre Lulinha e o caso do INSS.

“Quem te prendeu está aqui”: Flávio provoca Lula com Moro e Deltan

Outro momento de confronto ocorreu quando Flávio chamou a atenção para a presença de Sergio Moro e Deltan Dallagnol no debate. Os dois participaram da Operação Lava Jato: Moro foi o juiz responsável pela condenação que levou Lula à prisão, enquanto Deltan coordenou a força-tarefa de procuradores.

O senador provocou o adversário com a referência à prisão e cumprimentou os dois, presentes no evento:

Moro e Dallagnol, sejam bem-vindos, vocês que lutaram muito aqui para combater a corrupção nesse país

Flávio Bolsonaro, durante o debate da Band

Flávio também acusou Lula de ter contribuído para o desmonte da Lava Jato com o apoio de aliados no Supremo Tribunal Federal (STF). As condenações do petista na operação foram posteriormente anuladas pelo tribunal, que considerou Moro suspeito para julgá-lo.

Moro, governador eleito do Paraná pelo PL, chegou aos estúdios da Band entre os aliados de Flávio. Deltan, ex-procurador da República, também acompanhou o evento.

Lula reagiu à provocação acusando o adversário de mentir e afirmou que Flávio estaria ultrapassando o próprio pai na quantidade de declarações falsas.

A publicação de Sergio Moro no Instagram, pode ser acompanhada abaixo.

 

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Segurança pública: Flávio promete endurecer combate às facções

A segurança pública abriu o debate, com uma pergunta da jornalista Adriana Araújo sobre o enfrentamento ao crime e a redução da maioridade penal.

Flávio defendeu uma ofensiva contra o crime organizado e prometeu classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e as milícias como organizações terroristas. Ao apresentar a proposta, criticou a política de segurança do governo Lula e afirmou que pretende inverter a situação de medo vivida pela população.

O candidato também defendeu reduzir a maioridade penal para 14 anos em casos de crimes graves, ampliar os sistemas de monitoramento para mais de 1 milhão de câmeras e criar um Cadastro Nacional de Pedófilos.

Lula respondeu cobrando o apoio de Flávio à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, encaminhada pelo governo ao Congresso em 2025. Segundo o presidente, a proposta permitiria ampliar a integração entre União, estados e municípios. Ele também destacou a legislação antifacções aprovada durante sua gestão.

Os candidatos divergiram ainda sobre as saídas temporárias de presos. Flávio mencionou assassinatos cometidos por condenados que estavam fora dos presídios. Lula defendeu a ressocialização de detentos com bom comportamento, mas afirmou ser contrário à concessão do benefício a condenados por crimes hediondos.

Banco Master entra no debate, e Lula chama Flávio de “miliciano”

As acusações de corrupção voltaram ao centro do confronto quando Lula cobrou explicações sobre recursos associados a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e o financiamento de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro.

Flávio reagiu chamando o petista de corrupto. O senador exibiu a palma da mão com a palavra “corrupto”, destacando as letras PT, em uma provocação ao partido do presidente.

Lula intensificou os ataques e chamou Flávio de “irresponsável”, além de afirmar que o senador seria pior do que o próprio pai. Em outro momento, utilizou a expressão “miliciano” ao mencionar a contratação de parentes de Adriano da Nóbrega no antigo gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Adriano foi acusado de comandar o chamado Escritório do Crime.

O senador respondeu citando a ordem de prisão de Vorcaro expedida pelo ministro André Mendonça, do STF, e acusou o governo Lula de utilizar a Polícia Federal de maneira seletiva.

Lula diz “malandro carioca”, e Flávio critica expressão

Na reta final do primeiro bloco, Lula chamou Flávio de “malandro carioca”, em meio às cobranças sobre o caso Banco Master. A expressão provocou uma reação do senador no começo do bloco seguinte.

Flávio criticou o presidente pela associação entre a população do Rio de Janeiro e a malandragem. O candidato afirmou que a fala demonstrava preconceito contra os cariocas e manifestou solidariedade aos moradores do estado que representa no Senado.

O registro da declaração de Lula compartilhado pelo perfil RepubliqueBRA no X está indicado a seguir.

Flávio anuncia possível ministro e propõe mudanças no SUS

Na discussão sobre saúde, Flávio Bolsonaro anunciou que pretende convidar Cláudio Lottenberg, ex-presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, para comandar o Ministério da Saúde caso seja eleito.

O candidato do PL apresentou propostas para enfrentar as filas de exames e cirurgias no Sistema Único de Saúde (SUS). Entre elas estão a criação de um prontuário eletrônico integrado ao CPF dos pacientes, a expansão da telemedicina, a automatização de serviços e a melhoria do fornecimento de medicamentos.

Lula questionou se o convite a um ex-dirigente do Einstein representaria uma intenção de privatizar o SUS. O presidente também criticou a condução da pandemia de Covid-19 durante o governo Jair Bolsonaro.

Flávio reconheceu que houve falhas na gestão da crise sanitária, mas rebateu lembrando que o governo de seu pai comprou as vacinas utilizadas no país.

Custo de vida provoca confronto sobre inflação

A discussão econômica foi marcada por cobranças sobre o preço dos alimentos e as dificuldades enfrentadas pelas famílias brasileiras.

Lula reconheceu que o custo de vida permanece elevado, mas comparou a inflação dos alimentos nos dois governos. Segundo os percentuais apresentados pelo presidente durante o debate, os preços teriam aumentado 56% na gestão Jair Bolsonaro e 17% em seu mandato.

O petista defendeu aumentos reais do salário mínimo e dos benefícios previdenciários. Também relacionou parte da pressão sobre os preços aos conflitos no Oriente Médio e às ações de Donald Trump contra o Irã, com consequências para a circulação de mercadorias pelo estreito de Ormuz.

Lula desafia Flávio a abrir sigilos; senador volta às acusações sobre Vorcaro

No terceiro bloco, Lula propôs que ele e Flávio autorizassem, a partir desta segunda-feira (19), a abertura de seus sigilos bancários e telefônicos. O presidente afirmou que aceitaria estender a medida aos familiares, desde que o adversário adotasse a mesma providência.

Flávio não respondeu diretamente se concordaria com o desafio. Em vez disso, retomou as acusações envolvendo Daniel Vorcaro e mencionou supostos pagamentos realizados fora dos registros convencionais.

O senador citou R$ 30 milhões que, segundo suas declarações, estariam relacionados ao Instituto Lula e ao financiamento de um filme sobre a trajetória do presidente.

O debate também incluiu questionamentos sobre as relações do Brasil com os Estados Unidos. Lula perguntou se Flávio permitiria a entrega de terras raras brasileiras aos norte-americanos. O senador respondeu que suas viagens aos Estados Unidos tiveram o objetivo de defender interesses nacionais.

Gritos das comitivas interrompem considerações finais

O confronto terminou com tumulto entre integrantes das campanhas. Apesar das regras que restringiam manifestações da plateia, apoiadores dos dois candidatos reagiram repetidamente às falas e exigiram intervenções dos mediadores.

A situação se agravou nas considerações finais. Gritos e protestos das duas alas obrigaram a emissora a interromper o debate.

Além de Moro, Flávio chegou acompanhado de aliados como o deputado Nikolas Ferreira, o governador paulista Tarcísio de Freitas e Daniella Marques, integrante de sua equipe econômica. Lula compareceu com a primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, a Janja.

Antes do encontro, o 40graus mostrou como Flávio Bolsonaro preparou sua estratégia para enfrentar Lula na Band.

O debate foi realizado uma semana antes do segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro. Foi o primeiro confronto direto dos candidatos em um debate nesta eleição, depois de ambos terem ficado fora do encontro promovido pela emissora no primeiro turno.

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