Uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial de 25 de outubro poderia completar o chamado “mapa de Trump” na América Latina, ampliando a influência política dos Estados Unidos sobre a região. A avaliação é do jornal norte-americano The New York Times (NYT), em editorial publicado nesta terça-feira (13), que aponta o Brasil como peça decisiva para a estratégia regional do presidente Donald Trump.
Segundo o jornal, o Brasil representa “a principal peça que faltava na crescente lista de aliados de Trump na região”. O senador venceu o primeiro turno da eleição presidencial brasileira e, conforme a reportagem, aparece à frente nas primeiras pesquisas para o segundo turno.
O NYT relaciona o cenário eleitoral brasileiro ao avanço de governos de direita na América Latina. De acordo com a análise citada, a esquerda passou a ocupar uma posição minoritária entre os governos da região, mantendo o comando do Brasil, do México e do Uruguai.
Brasil é peça central na estratégia de Trump para a América Latina
O jornal norte-americano afirma que Trump está “determinado a exercer novos níveis de controle” sobre a América Latina. Para isso, sua administração tem recorrido a tarifas comerciais, sanções políticas e outras medidas de pressão sobre países que não seguem os interesses de Washington.
A análise também menciona ataques aéreos, revogação de vistos, bloqueios de petróleo e supostas intervenções eleitorais como instrumentos dessa política externa.
Para o NYT, a postura representa a “versão mais agressiva da Doutrina Monroe”, diretriz anunciada em 1823 pelo então presidente norte-americano James Monroe, associada ao lema “A América para os americanos”.
Nesse contexto, a possibilidade de um governo brasileiro politicamente alinhado a Trump ganharia importância estratégica, especialmente diante do peso regional do Brasil.
Avanço da direita no Brasil reforça cenário apontado pelo NYT
O editorial destaca os resultados das eleições brasileiras de 2026, que deram aos partidos de direita uma vitória expressiva no Legislativo, além de ampliar sua presença nos governos estaduais.
Segundo a avaliação reproduzida na reportagem, essas legendas terão o controle das duas Casas do Congresso Nacional, criando um ambiente político favorável a uma eventual aproximação entre Brasília e Washington.
“A combinação da política de Trump com a ascensão da direita está criando uma mudança fundamental na região, particularmente no que diz respeito à segurança”.
Para o jornal, a convergência entre governos de direita e a política externa de Trump pode alterar a forma como os países latino-americanos cooperam com os Estados Unidos, sobretudo no enfrentamento ao narcotráfico.
Combate ao PCC e ao Comando Vermelho aproxima Flávio da agenda de Trump
A segurança pública aparece como um dos principais pontos de possível aproximação entre Flávio Bolsonaro e o governo norte-americano.
O NYT afirma que a Casa Branca pretende ampliar a cooperação com o Brasil no enfrentamento às facções criminosas e considera o candidato do PL um interlocutor mais alinhado a essa estratégia.
Durante a campanha, Flávio Bolsonaro declarou que pretende classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas caso seja eleito presidente. A proposta acompanha a linha de enfrentamento defendida pelo governo Trump para grupos ligados ao narcotráfico.
O jornal observa que Washington passou a tratar a ofensiva contra os grandes cartéis da América Latina como prioridade, comparando essa atuação à guerra contra o terrorismo no Oriente Médio.
Embora a cooperação internacional contra o narcotráfico não seja novidade, o NYT considera excepcional a combinação atual de alinhamento político na região e disposição norte-americana para intervenções militares.
Segundo turno pode definir o alinhamento do Brasil com Washington
O segundo turno da eleição presidencial brasileira está marcado para 25 de outubro. Uma vitória de Flávio Bolsonaro representaria, segundo a avaliação do NYT, a incorporação do Brasil ao grupo de governos latino-americanos mais próximos de Donald Trump.
A análise coloca o resultado da eleição brasileira no centro de uma disputa mais ampla pela influência política e pela cooperação em segurança na América Latina. A possibilidade de aproximação, entretanto, depende do resultado das urnas e das decisões de um eventual governo.
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