Vitória de Flávio completaria ‘mapa de Trump’ na América Latina, diz NYT

Jornal norte-americano aponta o Brasil como peça central para ampliar a influência de Trump na região e destaca possível alinhamento no combate ao crime organizado.

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Flávio Bolsonaro em pé ao lado de Donald Trump, sentado à mesa presidencial no Salão Oval da Casa Branca, durante encontro em maio de 2026.
Flávio Bolsonaro ao lado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante reunião na Casa Branca, em maio de 2026. | Foto: Reprodução/X/@FlavioBolsonaro

Uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial de 25 de outubro poderia completar o chamado “mapa de Trump” na América Latina, ampliando a influência política dos Estados Unidos sobre a região. A avaliação é do jornal norte-americano The New York Times (NYT), em editorial publicado nesta terça-feira (13), que aponta o Brasil como peça decisiva para a estratégia regional do presidente Donald Trump.

Segundo o jornal, o Brasil representa “a principal peça que faltava na crescente lista de aliados de Trump na região”. O senador venceu o primeiro turno da eleição presidencial brasileira e, conforme a reportagem, aparece à frente nas primeiras pesquisas para o segundo turno.

O NYT relaciona o cenário eleitoral brasileiro ao avanço de governos de direita na América Latina. De acordo com a análise citada, a esquerda passou a ocupar uma posição minoritária entre os governos da região, mantendo o comando do Brasil, do México e do Uruguai.

Brasil é peça central na estratégia de Trump para a América Latina

O jornal norte-americano afirma que Trump está “determinado a exercer novos níveis de controle” sobre a América Latina. Para isso, sua administração tem recorrido a tarifas comerciais, sanções políticas e outras medidas de pressão sobre países que não seguem os interesses de Washington.

A análise também menciona ataques aéreos, revogação de vistos, bloqueios de petróleo e supostas intervenções eleitorais como instrumentos dessa política externa.

Para o NYT, a postura representa a “versão mais agressiva da Doutrina Monroe”, diretriz anunciada em 1823 pelo então presidente norte-americano James Monroe, associada ao lema “A América para os americanos”.

Nesse contexto, a possibilidade de um governo brasileiro politicamente alinhado a Trump ganharia importância estratégica, especialmente diante do peso regional do Brasil.

Avanço da direita no Brasil reforça cenário apontado pelo NYT

O editorial destaca os resultados das eleições brasileiras de 2026, que deram aos partidos de direita uma vitória expressiva no Legislativo, além de ampliar sua presença nos governos estaduais.

Segundo a avaliação reproduzida na reportagem, essas legendas terão o controle das duas Casas do Congresso Nacional, criando um ambiente político favorável a uma eventual aproximação entre Brasília e Washington.

“A combinação da política de Trump com a ascensão da direita está criando uma mudança fundamental na região, particularmente no que diz respeito à segurança”.

Para o jornal, a convergência entre governos de direita e a política externa de Trump pode alterar a forma como os países latino-americanos cooperam com os Estados Unidos, sobretudo no enfrentamento ao narcotráfico.

Combate ao PCC e ao Comando Vermelho aproxima Flávio da agenda de Trump

A segurança pública aparece como um dos principais pontos de possível aproximação entre Flávio Bolsonaro e o governo norte-americano.

O NYT afirma que a Casa Branca pretende ampliar a cooperação com o Brasil no enfrentamento às facções criminosas e considera o candidato do PL um interlocutor mais alinhado a essa estratégia.

Durante a campanha, Flávio Bolsonaro declarou que pretende classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas caso seja eleito presidente. A proposta acompanha a linha de enfrentamento defendida pelo governo Trump para grupos ligados ao narcotráfico.

O jornal observa que Washington passou a tratar a ofensiva contra os grandes cartéis da América Latina como prioridade, comparando essa atuação à guerra contra o terrorismo no Oriente Médio.

Embora a cooperação internacional contra o narcotráfico não seja novidade, o NYT considera excepcional a combinação atual de alinhamento político na região e disposição norte-americana para intervenções militares.

Segundo turno pode definir o alinhamento do Brasil com Washington

O segundo turno da eleição presidencial brasileira está marcado para 25 de outubro. Uma vitória de Flávio Bolsonaro representaria, segundo a avaliação do NYT, a incorporação do Brasil ao grupo de governos latino-americanos mais próximos de Donald Trump.

A análise coloca o resultado da eleição brasileira no centro de uma disputa mais ampla pela influência política e pela cooperação em segurança na América Latina. A possibilidade de aproximação, entretanto, depende do resultado das urnas e das decisões de um eventual governo.

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