O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta quinta-feira (8) que nenhum integrante de sua família poderá disputar o Palácio do Planalto em 2030 caso ele vença as eleições deste ano. A declaração contraria uma manifestação do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que havia levantado a possibilidade de Jair Bolsonaro voltar à disputa presidencial daqui a quatro anos.
Flávio apresentou sua posição durante um encontro com integrantes do Podemos, partido que anunciou apoio à sua candidatura no segundo turno das eleições de 2026.
O presidenciável defendeu uma mudança na Constituição para acabar com a reeleição presidencial e ampliar as restrições à candidatura de familiares do ocupante do cargo.
Ao comentar a possibilidade mencionada por Valdemar, Flávio foi direto:
“Se eu for presidente da República, em 2030 nenhum parente meu poderá ser candidato.”
A declaração também alcança o ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do candidato, e outros integrantes da família que poderiam disputar a Presidência.
Flávio quer acabar com a reeleição presidencial
A proposta defendida por Flávio Bolsonaro prevê o fim da possibilidade de um presidente disputar um segundo mandato consecutivo.
O senador apresentou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) em março de 2026. O texto original trata especificamente do fim da reeleição para a Presidência da República e ainda precisa ser analisado pelo Congresso Nacional.
Flávio pretende utilizar a força política de um eventual governo para conseguir a aprovação da mudança, que, segundo ele, deverá valer já para o mandato iniciado em 2027.
O candidato também deixou em aberto a duração do mandato presidencial. A proposta poderá manter os atuais quatro anos ou estabelecer um período de cinco anos, dependendo das negociações no Congresso.
A mudança, entretanto, não depende exclusivamente da vontade do presidente. Por se tratar de uma emenda constitucional, precisa ser aprovada pelos parlamentares.
Proposta também pode barrar familiares de presidentes
Além de defender o fim da reeleição, Flávio Bolsonaro quer ampliar as restrições eleitorais aplicadas aos parentes de quem ocupa a Presidência da República.
Atualmente, a Constituição estabelece impedimentos para a candidatura de cônjuges e parentes até o segundo grau de ocupantes de cargos do Poder Executivo, dentro da respectiva área de jurisdição, ressalvadas as exceções constitucionais.
A proposta defendida pelo senador pretende estender a restrição aos familiares até o terceiro grau.
Com essa mudança, caso seja aprovada pelo Congresso, integrantes da família Bolsonaro também seriam atingidos pelas novas regras durante um eventual governo de Flávio.
A medida impediria, segundo a interpretação apresentada pelo candidato, que seu pai disputasse a Presidência em 2030.
Declaração contraria possibilidade levantada por Valdemar
A manifestação de Flávio ocorreu depois que Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, mencionou Jair Bolsonaro como possível candidato à Presidência nas eleições de 2030.
O senador classificou a declaração como fora de contexto e reafirmou que pretende impedir a candidatura de parentes caso seja eleito presidente.
A posição evidencia uma diferença entre a possibilidade defendida publicamente pelo dirigente partidário e o modelo eleitoral que Flávio pretende implementar.
Ao mesmo tempo, o presidenciável procura estabelecer um compromisso de não disputar a própria reeleição, vinculando essa decisão à aprovação de mudanças constitucionais.
Família Bolsonaro conquistou novos mandatos em 2026
A discussão sobre candidaturas de familiares ocorre depois de integrantes da família Bolsonaro ampliarem sua presença no Congresso Nacional nas eleições deste ano.
Michelle Bolsonaro, mulher do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi eleita senadora pelo Distrito Federal. Carlos Bolsonaro, irmão de Flávio, também conquistou uma vaga no Senado, por Santa Catarina.
Outro irmão, Jair Renan Bolsonaro, foi eleito deputado federal pelo mesmo estado. Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente, conseguiu uma cadeira na Câmara dos Deputados por São Paulo.
Outros familiares disputaram as eleições sem conquistar mandato.
Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio, Carlos e Eduardo, concorreu à Câmara dos Deputados pelo Rio de Janeiro, mas terminou como suplente.
Marcelo Bolsonaro, primo da família, disputou uma vaga de deputado estadual em São Paulo e não foi eleito. Valéria Bolsonaro, mulher de um primo, tentou renovar seu mandato na Assembleia Legislativa paulista, também sem sucesso.
Ao todo, além de Flávio, outros sete integrantes da família Bolsonaro participaram da disputa eleitoral de 2026.
A eventual proibição de candidaturas presidenciais de familiares em 2030, contudo, dependerá da aprovação das mudanças defendidas pelo senador. Até lá, permanecem em vigor as regras constitucionais atuais.
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