O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) prestará depoimento às 14 horas desta terça-feira (28) na Polícia Federal (PF), no contexto da ação por suposta calúnia contra o presidente Lula (PT). O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes impôs a data após a defesa pedir mais tempo à PF, diante da dificuldade do parlamentar em encontrar um respiro em sua agenda para a oitiva.
A ideia de devolver o relatório final à PF para que Flávio tivesse a oportunidade de se retratar partiu do procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet. Ele lembrou que os crimes de calúnia e difamação admitem o pedido de desculpas, que isenta o acusado de uma punição. Ao concordar, Moraes deu dez dias para que o depoimento ocorresse.
Os advogados de Flávio argumentaram que não haveria motivo para pressa, uma vez que o suposto crime só prescreveria em janeiro de 2036, oito anos após a postagem em que o senador, ao comentar a prisão do ditador venezuelano Nicolás Maduro, diz que “Lula será delatado” e menciona uma série de delitos: “tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas”.
Durante o inquérito, Flávio pediu o depoimento da ativista venezuelana María Corina Machado, além de Walter Joseph Clayton, procurador dos Estados Unidos que indiciou Maduro, do senador Sergio Moro (PL-PR), do ex-deputado federal Deltan Dallagnol (Novo-PR) e de executivos da Odebrecht. Seu objetivo era demonstrar a relação entre Lula e o ditador, além das suspeitas de corrupção que teriam embasado seu comentário.
Depois do depoimento, o caso será remetido novamente a Moraes. Caberá à Primeira Turma – formada, além dele, por três indicados por Lula – decidir se o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se tornará ou não réu.