O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acusou ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) de articularem a operação da Polícia Federal realizada nesta quinta-feira (10) para atingir sua candidatura. Em live, o presidenciável relacionou uma reunião entre o ministro Alexandre de Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a decisões posteriores de Flávio Dino.
Segundo Flávio, ele havia informado em suas redes sociais, em 2 de setembro, que tinha tomado conhecimento de uma reunião entre Moraes e Alcolumbre. Para o candidato, o encontro teria antecedido a autorização a operação, que teve como alvos o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e a produtora Karina Gama.
“Eles fazem a reunião e aí quase ato contínuo já dão o OK para o Flávio Dino vir para cima de Flávio Bolsonaro”, afirmou.
Dino autorizou a operação em 3 de setembro. A PF havia solicitado as medidas dois dias antes, em 28 de agosto. A ação desta quinta-feira cumpriu 49 mandados de busca e apreensão e investiga suspeitas relacionadas ao uso de emendas parlamentares em contratos ligados ao filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Flávio também incluiu na cronologia o conflito envolvendo o comando da PF. Em 8 de setembro, o ministro André Mendonça havia determinado o afastamento do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues. No dia seguinte, Dino decidiu pela reintegração de Rodrigues.
Para Flávio, a volta do diretor-geral teria relação direta com a operação realizada nesta quinta-feira.
“E o Andrei é reintegrado, vai correndo lá para a Polícia Federal para exatamente comandar essa operação que foi feita hoje. Ele foi reintegrado só para fazer essa operação hoje”, afirmou.
O candidato também questionou a atuação de Dino no caso. Segundo ele, o ministro teria assumido uma investigação que deveria permanecer sob a relatoria de Mendonça.
“O Flávio Dino dá uma canetada completamente ilegal contra todos os precedentes, revogando a decisão do coleguinha do lado”, declarou.
Flávio classificou a ação da PF como “pescaria probatória” e afirmou que a investigação estaria buscando novos elementos apesar de documentos já terem sido apresentados pela produtora. “Foi isso que o Flávio Dino fez hoje com tudo já prestado contas para a Justiça de São Paulo”, disse.
Na live, o presidenciável também citou a declaração de Karina Gama encontrada durante a operação. Segundo ele, o documento registra relatos da produtora sobre abordagens e supostas pressões para que ela fizesse uma colaboração premiada.
A partir dessa sequência, Flávio afirmou que a operação teria sido planejada com objetivo eleitoral. “Então, gente, tá muito mais do que comprovado. Isso tudo foi arquitetado”, declarou.
O candidato ainda relacionou a operação à disputa eleitoral e afirmou que a ação ocorreu a 24 dias do primeiro turno. “O que tá claro é que o Lula vai perder a eleição”, afirmou.
A investigação da PF, porém, apura possíveis irregularidades na utilização de recursos públicos e não tem Flávio Bolsonaro como alvo da operação. Entre os investigados estão Mário Frias e Karina Gama, além de empresas e entidades relacionadas ao caso. A PF aponta suspeitas de crimes como peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro e organização criminosa.