A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIesp) atribuiu diretamente ao governo e a atitudes do presidente Lula a aplicação de novas taxas a produtos brasileiros. A avaliação foi rebatida pelo coordenador da campanha de reeleição de Lula, que viu objetivos “político-eleitorais” na nota da entidade.
O anúncio do novo tarifaço americano na noite desta quarta-feira (15) foi seguido de uma série de repercussões, tanto do setor produtivo como do governo brasileiro. O governo petista atribuiu a crise à família Bolsonaro e sua relação com Donald Trump, enquanto a oposição da direita sustenta que o endurecimento da relação bilateral se deve à condução hostil do comando brasileiro. A Fiesp acompanhou esta avaliação.
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“Em um momento de extrema sensibilidade econômica mundial, a opção do governo brasileiro por ruídos diplomáticos desnecessários, críticas personalistas, discursos eleitorais e desalinhamento político com Washington acabou por minar vínculos construídos ao longo de mais de 200 anos de cooperação bilateral”, opinou o texto assinado pelo presidente da Fiesp, Paulo Skaf.
Skaf viu na aplicação do tarifaço um resultado da política de enfrentamento de Lula aos EUA como tendo um objetivo político-eleitoral. O próprio Skaf já foi três vezes candidato ao Palácio dos Bandeirantes na década passada, sempre na oposição aos governos de esquerda do PT.
Uso “político-eleitoral” da Fiesp
Coordenador nacional da campanha de Lula e regional do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad ao governo de São Paulo, o advogado Marco Aurélio de Carvalho rebateu Skaf e classificou a nota como “vergonhosa”.
“A instrumentalização de uma entidade importante como a Fiesp preocupa a sociedade, mas principalmente deveria preocupar seus associados, porque Skaf dá uma força aos americanos e tende a ser utilizada a favor dos ataques à soberania nacional”, disse Carvalho.
Carvalho defendeu que Skaf seja publicamente cobrado pelos associados à Fiesp por não buscar “consenso” e harmonia.
Marco Rubio atribuiu a Lula responsabilidade
O governo brasileiro emitiu uma nota em que alega que a imposição da taxa é o resultado de um “enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro” e atacou: “São falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros”.
“Não se pode amar o Brasil apenas quando vencemos eleições. Proteger a nossa soberania é uma obrigação que está acima de todos os partidos e todas as tendências. O governo brasileiro não vacilará em seu dever de preservá-la”, conclui a nota.
A tentativa de responsabilização da família Bolsonaro, no entanto, contou com uma declaração contrária do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio:
“No último ano, Lula colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso”.
A oposição passou a utilizar a manifestação de Rubio nas redes sociais. Flávio chamou o petista de “Biden brasileiro”, a quem classificou como “ranzinza”, “inconsequente” e “um perigo para a nossa nação”.