A Amazônia Legal, uma área que abrange o Brasil e mais cinco países, deixou de ser encarada apenas como rota transitória do narcotráfico para se consolidar como uma das fronteiras econômicas criminosas mais complexas do mundo, com a presença de ao menos 30 grupos criminosos armados. É o que aponta um estudo do Instituto Igarapé.
O relatório From Narco Cartels to Criminal Networks: The Structural Transformation of Organized Crime in Latin America and the Caribbean mostra que mais de dois terços dos municípios amazônicos de países como Brasil, Equador, Colômbia, Peru, Venezuela e Bolívia registram a presença de ao menos um grupo criminoso.
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Facções expandem para garimpo ilegal na Amazônia
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O mapa das facções que se espalham pelo Brasil
“As evidências demonstram que o crime organizado na região é muito mais do que um problema de aplicação da lei, mas engloba negócios, desenvolvimento e a própria democracia”, diz Robert Muggah, coordenador do estudo.
CV e PCC lideram
O levantamento cita, no caso do Brasil, o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), que exploram, além do tráfico de drogas, o garimpo ilegal, a cobrança de taxas em territórios mineradores e a grilagem de terras, na liderança do maior território amazônico, o do Brasil.
São citadas também dissidências das FARC colombianas, como o Estado Mayor Central e a Segunda Marquetalia, além do Exército de Libertação Nacional (ELN). A Venezuela contribui especialmente com o Tren de Aragua e outros “sindicatos mineiros”.
Os produtos extraídos de forma criminosa — como madeira, ouro, carne, soja e minerais — são integrados às cadeias de suprimento legais globais, diz o levantamento. Isso ocorre por meio da falsificação de documentos de origem, fraude de títulos de propriedade e lavagem de ouro em refinarias intermediárias antes da exportação para mercados internacionais, como os da Europa e da América do Norte. A prática emula a lavagem de dinheiro, conforme o exemplo de organizações mafiosas clássicas.
O relatório recomenda fortalecer a inteligência transnacional e rastrear a propriedade efetiva de empresas ao longo das cadeias de suprimento globais.