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Saúde

Existe relação entre sono e enxaqueca? Saiba o que estudo descobriu

Pesquisa com mais de 5 mil adultos identificou relação entre descanso de pior qualidade, mais dias de dor de cabeça, maior incapacidade, estresse, ansiedade e menor satisfação com a vida

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Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Médica de Wrocław, na Polônia, encontrou uma associação importante entre a enxaqueca e a qualidade do sono. A pesquisa, publicada no ‘The Journal of Headache and Pain’, analisou 5.311 adultos e mostrou que pessoas com enxaqueca apresentavam mais dificuldades para dormir do que aquelas que não tiveram dores de cabeça no ano anterior.

Entre os participantes com enxaqueca, 64,1% apresentaram qualidade de sono considerada ruim. No grupo sem cefaleia, o percentual foi de 38,7%.

A investigação reuniu 1.523 pessoas com enxaqueca, 2.366 com cefaleia tensional, 209 com outros tipos de dor de cabeça não classificados e 1.213 participantes que não relataram cefaleias nos 12 meses anteriores.

Os voluntários responderam a questionários sobre dor, sono, qualidade de vida, estresse, ansiedade e horários habituais de atividade. Para avaliar o descanso, os pesquisadores utilizaram o Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh, instrumento que considera fatores como o tempo necessário para adormecer, duração do sono, despertares durante a noite e funcionamento durante o dia.

Pessoas com enxaqueca tiveram mais dificuldades para dormir

Na avaliação, o grupo com enxaqueca apresentou mediana de sete pontos no índice de qualidade do sono, enquanto a mediana entre os participantes sem cefaleia foi de cinco. Pontuações acima de cinco indicam pior qualidade do descanso.

As pessoas com enxaqueca também relataram com maior frequência dificuldade para adormecer, interrupções do sono durante a noite, sonolência durante o dia e uso de medicamentos para dormir.

Segundo os pesquisadores, a diferença observada não parece ser explicada apenas pelas características dos participantes, como idade, sexo, escolaridade, local de residência, situação conjugal ou tipo de trabalho.

Os autores afirmaram que a alteração do sono associada à enxaqueca pode ser uma característica relacionada à própria doença, e não simplesmente uma consequência de outros fatores presentes no grupo estudado.

Quanto pior o sono, maior o impacto da enxaqueca

A pesquisa também analisou especificamente os participantes com enxaqueca e encontrou uma relação entre pior qualidade do sono e maior impacto da doença.

Quem apresentava mais problemas para dormir tendia a registrar mais dias de dor de cabeça por mês, maior incapacidade e níveis mais elevados de estresse ou ansiedade.

A associação mais forte observada pelos pesquisadores envolveu a qualidade de vida. Pessoas com pior descanso relatavam maior interferência da enxaqueca nas atividades cotidianas e menor satisfação com a própria vida.

Os dados indicaram uma correlação de -0,45 entre a qualidade do sono e a qualidade de vida. A relação foi de 0,37 com a incapacidade provocada pela doença e de 0,26 com o número de dias de dor de cabeça por mês.

Para os pesquisadores, os resultados reforçam a importância de considerar o sono ao avaliar o impacto geral da enxaqueca.

“Observar que um sono pior está relacionado a uma maior frequência de crises e a uma menor satisfação com a vida reforça a ideia de que a qualidade do sono é um indicador importante da carga geral da enxaqueca”, afirmaram os autores.

Horários mais tardios também apareceram entre pessoas com enxaqueca

Além da qualidade do sono, o estudo avaliou o chamado cronotipo, que representa a preferência natural de uma pessoa por determinados horários para dormir, acordar e realizar atividades.

Os participantes com enxaqueca apresentaram maior tendência a horários vespertinos. Ainda assim, os pesquisadores ressaltaram que isso não significa que as pessoas com a doença sejam necessariamente “noturnas”.

O perfil intermediário foi o mais comum entre todos os grupos e correspondeu a 66,7% dos participantes com enxaqueca. Já os hábitos predominantemente matutinos apareceram em 24,9% das pessoas com a doença, contra 39,1% no grupo sem cefaleia.

A relação entre o cronotipo e fatores como frequência da dor, incapacidade e qualidade de vida foi considerada fraca.

“Embora a enxaqueca possa estar associada a um cronotipo mais tardio, o cronotipo, por si só, pode não ser um fator principal para determinar a frequência ou a carga das dores de cabeça”, explicaram os pesquisadores.

Estudo não prova que dormir mal cause enxaqueca

Apesar dos resultados, a pesquisa não permite afirmar que dormir mal seja a causa da enxaqueca.

Os próprios pesquisadores destacaram que a relação entre sono e doença pode ocorrer nos dois sentidos. Alterações no descanso, como dormir pouco, acordar várias vezes ou manter horários irregulares, podem aumentar a sensibilidade à dor. Ao mesmo tempo, as crises de enxaqueca podem dificultar o sono.

Outra limitação é o próprio desenho da pesquisa. Os dados foram coletados em um determinado momento, sem acompanhamento dos participantes ao longo do tempo. Além disso, as informações sobre o sono foram obtidas por meio de questionários, e não por exames específicos para monitorar o descanso.

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