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Ciência e tecnologia / Destaque

Ex-garçom que dormia em Fusca cria tecnologia premiada em evento de óleo e gás

O empresário brasileiro Thomas Fink criou uma tecnologia que conseguiu diminuir o tempo necessário para o reparo em um tanque de armazenamento de petróleo | Foto: Divulgação

O empresário brasileiro Thomas Fink, do Grupo TecnoFink, conquistou nesta quinta-feira, 24, o Prêmio Plínio Cantanhede durante a ROG.e 2026, maior evento de óleo e gás da América Latina, no Rio de Janeiro. Ele criou uma tecnologia que conseguiu diminuir de 15 dias para menos de uma hora o tempo necessário para o reparo em um tanque de armazenamento de petróleo.

A tecnologia criada por Fink reduziu exponencialmente o custo estimado de uma intervenção convencional desse tipo, de cerca de R$ 1,5 milhão para uma faixa entre R$ 10 mil e R$ 15 mil. O trabalho premiado é uma parceria entre Fink e o engenheiro Felipe Naciuk,

O ROG.e 2026, anteriormente conhecido como Rio Oil & Gas, é um dos maiores eventos e festivais de energia do mundo. Promovido pelo Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), o encontro ocorreu de 21 a 24 de setembro no Riocentro, na capital fluminense.

O Prêmio Plínio Cantanhede é concedido a cada dois anos e foi entregue pela primeira vez em 1990, durante o 4º Congresso Brasileiro de Petróleo. Nascido no Rio de Janeiro em 27 de julho de 1910, Plínio Reis de Cantanhede Almeida teve uma vida ligada à indústria do petróleo e ficou 22 anos à frente do instituto, de 1962 a 1984.

Entenda

A solução encontrada por Fink foi denominada ADA (Active Direct Adhesion ou Adesão Direta Ativa, na tradução para o português). O trabalho foi selecionado entre 1,9 mil projetos de todo o mundo. Fink e o engenheiro químico Igor Fontes chegaram à fórmula que a indústria global buscava há décadas para evitar prejuízos milionários.

Para criar a tecnologia inovadora, o brasileiro se dedicou ao trabalho e fez pesquisas, desenvolvimento e testes durante cinco anos. A proposta é permitir reparos com materiais compósitos em condições que representam desafios para métodos convencionais, inclusive em superfícies contaminadas por óleo.

Em linhas gerais, a paralisação para reparos – algo corriqueiro na indústria – envolve custos de mão de obra, armazenamento, transporte de produto, equipamentos e perda de produção.

Em muitos casos, a manutenção convencional leva à interrupção da operação, com o esvaziamento de equipamentos e a preparação de superfícies e mobilização de diferentes equipes antes que o reparo possa começar.

A tecnologia brasileira foi criada justamente para ampliar as possibilidades de intervenção quando óleo, água ou outras condições adversas dificultam a adesão dos materiais utilizados no reparo.

O desenvolvimento teve início em laboratório, com a avaliação de diferentes formulações, e evoluiu para testes que reproduziram situações encontradas na indústria.

Thomas Fink chegou à fórmula que a indústria global buscava há décadas para evitar prejuízos milionários | Foto: Divulgação

Empresário foi garçom e motorista

A trajetória de Thomas Fink até o reconhecimento internacional chama a atenção. Ele começou a trabalhar ainda muito jovem, depois de perder o pai, e enfrentou uma série de dificuldades quando começou a empreender que quase o fizeram encerrar o negócio.

Antes de ingressar nas áreas de engenharia e tecnologia, Fink foi garçom e motorista. Muitas vezes, ele teve de dormir dentro de um Fusca durante viagens de trabalho porque não tinha dinheiro para pagar hospedagem em hotéis.

Também foi vendedor de roupas em shopping center para complementar a renda enquanto mantinha o escritório em funcionamento em horários alternativos. Hoje, atua na TecnoFink e na PowerPoxi, empresas especializadas em soluções de alta performance para proteção anticorrosiva, recuperação estrutural e reparo de equipamentos industriais, com forte atuação no setor de óleo, gás e energia.

“Mais do que a premiação, essa trajetória revela uma história de empreendedorismo construída fora dos grandes centros internacionais de tecnologia: um negócio que começou pequeno, em Minas Gerais, atravessou dificuldades financeiras e transformou pesquisa aplicada em uma solução voltada a um dos setores mais exigentes e concorridos da indústria”, afirma Fink.

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