A Europa Filmes decidiu adiar por tempo indeterminado o lançamento de “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A distribuidora não trabalha, neste momento, com uma nova data para a estreia e pretende aguardar o andamento das investigações da Polícia Federal (PF) sobre possíveis irregularidades envolvendo recursos destinados a entidades ligadas à produção.
Em entrevista ao jornal O Globo, o diretor-geral da empresa, Wilson Feitosa, afirmou que seria irresponsável colocar o longa nos cinemas diante da possibilidade de medidas que possam impedir sua exibição.
“O lançamento do filme terá que estar livre de possíveis impedimentos. Não dá para saber o desenrolar de tudo isso, mas não seria responsável fazer o lançamento deste filme com todos estes acontecimentos”, afirmou.
Segundo Feitosa, a distribuidora só deverá avançar com a estreia quando houver segurança de que o filme não será alvo de um eventual bloqueio judicial.
“Estamos aguardando, é o prudente”, declarou.
A decisão foi tomada após a Polícia Federal deflagrar, nesta quinta-feira (10), a Operação Make Up, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino. A ação investiga a possível utilização irregular de emendas parlamentares destinadas a projetos do Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido pela empresária Karina Ferreira da Gama, que também está ligada à produtora Go Up Entertainment, responsável por “Dark Horse”.
Ao todo, foram autorizados 49 mandados de busca e apreensão em quatro Estados. O deputado federal Mário Frias (PL-SP), que destinou emendas ao ICB, está entre os alvos da operação.
A PF apura se recursos públicos destinados aos projetos do instituto foram utilizados de forma irregular e se parte do dinheiro circulou por empresas relacionadas à produção do longa. As suspeitas ainda são investigadas.
Feitosa afirmou que não tinha conhecimento prévio da operação. “Não sabia da operação, mas, se tem coisa errada, tem mais é que esclarecer”, disse.
Estreia já havia sido adiada
Antes da operação, a Europa Filmes já avaliava não lançar “Dark Horse” durante o período eleitoral. Em agosto, Feitosa havia afirmado que a estreia durante a campanha poderia não ser estratégica e que a distribuidora estudava deixar o filme para depois das eleições.
A nova decisão, porém, retira qualquer previsão de calendário. A empresa agora condiciona o lançamento ao desfecho das medidas relacionadas à investigação e à inexistência de impedimentos para que o longa chegue aos cinemas.
“Dark Horse” tem o ator Jim Caviezel no papel de Bolsonaro e retrata episódios da trajetória do ex-presidente.