Os dados da nova rodada da pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta semana mostram que a liderança do atual presidente Lula entre os brasileiros beneficiados pelo Bolsa Família alcançou o menor percentual desde o começo do levantamento. Segundo a pesquisa, Lula tem 51% das intenções de voto do segmento. No final de julho, eram 70%.
O levantamento foi realizado por telefone com 2.002 pessoas entre 4 e 7 de setembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%. O recorte sobre beneficiários do Bolsa Família foi enviado com exclusividade à coluna.
Entre os nomes testados, Augusto Cury apresenta a menor rejeição no grupo. O escritor registra 24% de eleitores que afirmam não votar nele de jeito nenhum. Ao mesmo tempo, tem 10% das intenções de voto no primeiro turno e potencial de voto de 33%.
Cury também tem espaço para ampliar sua presença entre os beneficiários. 39% afirmam que ainda não o conhecem. O percentual de eleitores que dizem que ele é o único candidato em quem votariam chega a 15%, mais que o dobro dos 6% registrados entre os não beneficiários.
Flávio Bolsonaro aparece com 26% das intenções de voto no primeiro turno entre os beneficiários do programa. O candidato do PL alcança potencial de voto de 38%, resultado da soma dos 19% que afirmam que votariam exclusivamente nele e dos 19% que admitem votar nele.
A principal barreira para o senador no segmento é a rejeição. 59% dos beneficiários dizem que não votariam em Flávio de jeito nenhum, ante 49% entre os eleitores que não recebem o benefício. Apenas 3% afirmam não conhecer o candidato.
O cenário coloca os três principais recortes em posições distintas. Lula mantém a maior intenção de voto entre os beneficiários, mas registra queda de 19 pontos percentuais desde o fim de julho. Flávio aparece com uma parcela relevante do eleitorado, mas enfrenta rejeição maior. Cury tem menor rejeição e uma parcela expressiva de eleitores que ainda não o conhece.
Na avaliação de Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, a queda de Lula pode abrir espaço para outros candidatos, mas Flávio enfrenta dificuldades para avançar entre os beneficiários por causa da rejeição.
“O desafio da oposição, no entanto, é saber quem consegue capturar esse eleitor descontente. Enquanto Flávio Bolsonaro tem pouco espaço para crescer, com 59% de rejeição no segmento, Augusto Cury surge como um nome de baixíssima rejeição e surpreendente apelo convicto entre os mais pobres, posicionando-se como uma alternativa palatável para o eleitor que quer se afastar do governo, mas resiste ao bolsonarismo”, afirmou Tokarski.