Segurança, corrupção e economia pesam contra Lula em análise da Eurasia

Consultoria aponta dificuldades do presidente para conquistar votos fora de sua base e avalia o impacto da abstenção na disputa com Flávio Bolsonaro.

Compartilhe
Lula sentado à mesa, de terno escuro e gravata vermelha, com as mãos unidas diante do rosto e expressão séria.
O presidente Lula enfrenta dificuldades nas áreas de segurança pública, corrupção e economia, segundo análise da consultoria Eurasia Group sobre o segundo turno das eleições. | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Segurança pública, corrupção e insatisfação econômica aparecem entre os principais obstáculos políticos enfrentados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa do segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL). A avaliação consta de um relatório da consultoria norte-americana Eurasia Group, divulgado no sábado (17), a oito dias da votação presidencial.

Na análise, a empresa destaca que os problemas percebidos pelo eleitorado nessas três áreas dificultam a recuperação do presidente, mesmo depois da redução da diferença entre os candidatos nas pesquisas recentes. O segundo turno está marcado para 25 de outubro.

Os levantamentos considerados pela consultoria registraram uma diferença que passou de quase cinco para aproximadamente três pontos percentuais. A mudança levou a Eurasia a revisar sua avaliação anterior, mas não eliminou os obstáculos identificados para a campanha petista.

Segurança pública, corrupção e perda do poder de compra pressionam Lula

O relatório aponta que a percepção dos eleitores sobre segurança pública e corrupção continua sendo um problema para Lula. Soma-se a esses fatores a insatisfação econômica de parte da classe média, em um momento em que o custo de vida e o poder de compra ocupam espaço na campanha presidencial.

São justamente essas questões que a equipe de Flávio Bolsonaro procura explorar na disputa. Em sabatina recente mencionada no material, o senador apresentou sua mensagem econômica aos eleitores:

Vamos devolver o poder de compra do brasileiro.

O diagnóstico da Eurasia coloca esses temas entre os pontos centrais da disputa eleitoral. Para a consultoria, as dificuldades do presidente envolvem não apenas a diferença nas pesquisas, mas também a resistência de determinados grupos de eleitores à continuidade de seu governo.

Abstenção e votos dos candidatos eliminados complicam os cálculos do PT

A análise também identifica dificuldades na disputa pelos votos de candidatos que ficaram fora do segundo turno. Nos cenários examinados pela Eurasia, Lula precisaria conquistar mais de 60% desse eleitorado ou atrair parte dos brasileiros que anteriormente manifestavam intenção de votar em Flávio Bolsonaro.

Outro fator destacado é a abstenção. Segundo a consultoria, diferenças no comparecimento dos eleitores podem interferir na distância entre as candidaturas, tornando a mobilização dos apoiadores uma variável importante na última semana de campanha.

O relatório considera esses elementos em conjunto com a aproximação observada nos levantamentos recentes. Trata-se de uma avaliação de risco político, e não de uma nova pesquisa de intenção de voto realizada pela empresa.

Governo Lula recorre a propostas econômicas na reta final

Entre as iniciativas citadas pela Eurasia estão propostas associadas ao governo Lula, como gratuidade no transporte público, medidas destinadas a pequenos empresários e redução da jornada semanal de trabalho.

Esses anúncios aparecem no relatório ao lado de outras variáveis da reta final, como o desempenho dos candidatos nos debates, ataques políticos e mudanças na comunicação das campanhas.

A consultoria examina a capacidade dessas iniciativas de influenciar o eleitorado diante das dificuldades enfrentadas pelo presidente nos temas da segurança, da corrupção e da economia.

O 40graus já publicou os resultados da pesquisa BTG/Nexus sobre o segundo turno, incluindo os indicadores de intenção de voto e rejeição aos candidatos.

O relatório da Eurasia foi divulgado quando faltava pouco mais de uma semana para a eleição. Até a abertura das urnas, a abstenção, a transferência de votos dos candidatos eliminados e o desempenho das campanhas continuam entre os fatores acompanhados pela consultoria.

Mais sobre o assunto

Comentários 0

Participe da conversa. Opiniões são bem-vindas quando mantêm respeito e relação com o assunto. Comentários podem passar por moderação antes da publicação.

Deixe seu comentário

Seu comentário deve contribuir com a discussão. Consulte também nossa Política de Privacidade.