Viralizou: um homem nos Estados Unidos teria sofrido múltiplos acidentes vasculares cerebrais (AVCs) devido ao hábito de estalar o pescoço constantemente. O caso de Donald McAvoy, ocorrido originalmente no final de 2023, voltou a ganhar as manchetes nesta semana, após sua história sair no tabloide sensacionalista britânico The Sun.
Acompanhada de frases como “nunca vou estalar meu pescoço novamente”, o episódio que deixou McAvoy à beira da morte causou alvoroço nas redes e muita dúvida. Será mesmo que algo tão simples e corriqueiro como estalar o pescoço para resolver algum desconforto pode provocar AVC e deixar alguém lutando pela vida?
Entenda melhor essa história toda e o que pode ter acontecido no episódio que novamente está repercutindo on-line.
O que aconteceu no caso de Donald McAvoy
Em dezembro de 2023, enquanto assistia à TV, McAvoy começou a se engasgar com a própria comida e perdeu a visão. O homem, um instrutor de academia que hoje tem 38 anos, precisou ser levado às pressas para o hospital, onde os médicos constataram uma série de AVCs associados a uma dissecção da artéria vertebral, que passa pelo pescoço.
A longa jornada de recuperação de McAvoy virou notícia no ano passado e, na época, não havia qualquer menção a estalar o pescoço como possível causa.
A história mudou no novo relato publicado pelo The Sun nesta semana, em que o próprio paciente diz que, segundo os médicos, esse hábito teria sido uma “causa provável” para o problema de saúde. Mas vale ressaltar: nenhum médico foi efetivamente ouvido para a matéria do tabloide.
Nos relatos de McAvoy, ele também compartilhou outras informações cruciais que não repercutiram da mesma forma: o instrutor de academia já estava enfrentando dores no pescoço nos dias anteriores, e
O profissional teria realizado uma manobra brusca que, ainda segundo o depoimento de McAvoy, não reduziu as dores e, pelo contrário, piorou sua vontade de estalar o pescoço.
Em suma: mesmo no relato que ganhou o noticiário nos últimos dias, há outra possível causa além do hábito de estalar o pescoço – o trauma gerado pela “terapia de manipulação cervical” aplicada incorretamente na sessão de quiropraxia.
Mas estalar o pescoço pode trazer algum risco?
Em tese, não é impossível que o simples hábito de estalar o pescoço possa causar algum problema desse tipo, mas situações como a de McAvoy são raríssimas e quase sempre associadas a questões diferentes ou pré-existentes. No próprio caso citado, parece mais provável que o gatilho determinante tenha sido o movimento abrupto feito pelo quiropraxista.
Uma dissecção de artéria pode ocorrer por razões diversas, com ou sem trauma, incluindo ações involuntárias como um espirro. Mas, em geral, costuma haver um problema de fundo que torna o acidente mais provável, como um caso crônico de hipertensão não controlada ou o acúmulo de placas no interior dos vasos sanguíneos, situações que favorecem uma ruptura.
Nesses casos, existe também o que os especialistas chamam de causalidade reversa: não é o movimento de estalar o pescoço que causou o problema, mas as questões de saúde de fundo que causam a vontade de estalar o pescoço, levando a uma confusão sobre o que ocorreu primeiro.
No caso de McAvoy, as dores já existiam muito antes da complicação que levou aos AVCs, e podem ser a verdadeira explicação para ele adotar o hábito. Mesmo sem estalar o pescoço de forma rotineira, é possível que ele acabasse tendo o problema da mesma forma, em outro momento.
Por via das dúvidas, se você convive com dores persistentes no pescoço, o melhor é procurar um médico capaz de avaliar o que pode estar causando esse incômodo. Problemas cardiovasculares não diagnosticados costumam gerar dores na região do pescoço devido às artérias que passam por ali, e podem culminar em um AVC mesmo que você faça um esforço ativo para não estalar essa parte do corpo.