Os palestinos terão de esperar até setembro de 2027 para voltar às urnas em eleições nacionais. O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, anunciou neste sábado (10) o adiamento da votação legislativa prevista para novembro deste ano e marcou para 11 de setembro de 2027 a realização simultânea das eleições parlamentares e presidenciais.
A decisão prolonga um cenário de ausência de renovação eleitoral nos principais cargos palestinos. Abbas foi eleito presidente em 2005 e permanece no poder mesmo depois do encerramento de seu mandato, em 2009. Desde então, governa por meio de decretos.
O anúncio foi divulgado pela agência oficial palestina WAFA. Segundo o governo, o adiamento decorre das condições políticas e de segurança nos territórios palestinos, que impediriam a realização de uma votação com participação de todos os eleitores.
Abbas atribui adiamento a Israel, e governo israelense rebate
O decreto presidencial aponta medidas adotadas por Israel como obstáculos à organização do processo eleitoral. Entre as justificativas apresentadas estão operações militares, expansão de assentamentos, episódios de violência envolvendo colonos e restrições de circulação na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.
A Autoridade Palestina também menciona dificuldades de acesso para integrantes da comissão eleitoral e observadores internacionais, além de restrições ao deslocamento de candidatos e eleitores.
Na Faixa de Gaza, o governo palestino cita a situação humanitária, os problemas de segurança e a reconstrução incompleta do território como fatores que dificultam a votação.
As justificativas foram contestadas pelo ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar. Em manifestação pública, o chanceler acusou Abbas de tentar responsabilizar Israel por mais um adiamento eleitoral e questionou a falta de renovação do comando político palestino.
Palestinos não elegem presidente há mais de duas décadas
A última eleição presidencial palestina ocorreu em 2005, quando Mahmoud Abbas chegou ao poder. Já a votação legislativa mais recente foi realizada em 2006 e terminou com a vitória do Hamas sobre o Fatah, movimento político liderado por Abbas.
A disputa entre as duas organizações aprofundou a divisão política palestina. Em 2007, o Hamas assumiu o controle da Faixa de Gaza, enquanto a Autoridade Palestina, dominada pelo Fatah, permaneceu responsável pela administração de partes da Cisjordânia.
Desde então, os palestinos não conseguiram realizar uma nova eleição nacional para renovar simultaneamente os principais órgãos de governo.
Em abril de 2026, foram promovidas eleições municipais em localidades da Cisjordânia e na cidade de Deir al-Balah, em Gaza. A votação, entretanto, não representou a renovação da Presidência nem do Legislativo palestino.
Novo adiamento ocorre após compromisso internacional
A decisão de Abbas ocorre poucas semanas depois de o presidente reafirmar, durante discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, o compromisso de realizar eleições legislativas em novembro.
O líder palestino também havia apresentado compromissos eleitorais ao presidente da França, Emmanuel Macron, e ao príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman.
O adiamento foi discutido com diferentes facções palestinas, incluindo representantes do Fatah e do Hamas. As organizações participaram de conversas sobre as condições necessárias para realizar a votação.
Com o novo calendário, as eleições presidenciais e parlamentares ficaram marcadas para setembro de 2027. A realização do pleito dependerá das condições políticas, territoriais e de segurança até a nova data.
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