A escolha estava definida antes mesmo do sorteio dos grupos, que, na última sexta-feira, 5, colocou Egito, Irã, Bélgica e Nova Zelândia na mesma chave.
Repercussão negativa entre Egito e Irã
Tanto Egito quanto Irã apresentam posturas rígidas em relação à homossexualidade. No Egito, relações entre pessoas do mesmo sexo podem ser criminalizadas sob “leis de moralidade pública”. Já no Irã, a legislação prevê até pena de morte para atos homossexuais, de acordo com a sharia.
A nomeação do “Jogo do Orgulho” gerou reação negativa dos países envolvidos. O presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, afirmou nesta terça-feira, 9 que “é uma decisão irracional que favorece um grupo em particular”. Ele também declarou que “nós, Irã e o Egito, nos opomos a essa decisão”, segundo a agência Isna.
A emissora estatal do Irã informou que o país pretende contestar a decisão na Fifa. No Egito, a federação local também manifestou descontentamento, conforme reportado pela imprensa local. Embora não haja proibição explícita, o Egito costuma punir relações homoafetivas com base em leis contra a “depravação”.
Contexto histórico e rusga antes do sorteio da Copa
Esta será a sétima participação do Irã na Copa do Mundo. O torneio de 2026 será organizado por Estados Unidos, Canadá e México. Atualmente, Irã e Estados Unidos não mantêm relações diplomáticas desde 1980, após a crise dos reféns em Teerã, ocorrida depois da Revolução Islâmica.
O Irã havia anunciado um boicote ao sorteio dos grupos por causa de uma recusa dos Estados Unidos em conceder vistos à delegação iraniana. Apesar disso, o técnico Amir Ghalenoei e mais um ou dois representantes estiveram presentes.