O dólar encerrou a primeira semana após o primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 com queda acumulada de 4,43% frente ao real, o maior recuo semanal da moeda norte-americana nesse período eleitoral desde a criação do Plano Real, em 1994. Ao mesmo tempo, o Ibovespa renovou seu recorde histórico e fechou o pregão de sexta-feira (9) aos 209.066,90 pontos.
A reação do mercado financeiro ocorreu em meio ao fortalecimento das expectativas de vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, marcado para 25 de outubro. Investidores passaram a precificar a possibilidade de mudanças na política econômica a partir de 2027, especialmente na condução das contas públicas.
Na sexta-feira, o dólar comercial caiu 0,79% e terminou cotado a R$ 4,985. A moeda havia iniciado a semana na faixa de R$ 5,21, antes de acumular sucessivas perdas diante da valorização do real.
Durante o último pregão, a cotação oscilou entre R$ 4,976 e R$ 5,009. Com o resultado, o dólar passou a registrar desvalorização de 3,67% em outubro e de 9,19% no acumulado de 2026.
Bolsa fecha acima dos 209 mil pontos e renova máxima histórica
A valorização das ações acompanhou o movimento do câmbio. O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), avançou 1,38% na sexta-feira e encerrou o dia aos 209.066,90 pontos, estabelecendo um novo recorde de fechamento.
Durante as negociações, o índice chegou a 209.713,45 pontos, sua maior marca intradiária. A mínima da sessão foi de 206.237,55 pontos.
Os dois recordes representam indicadores diferentes: o primeiro corresponde ao valor efetivamente registrado no encerramento do pregão; o segundo, ao nível mais alto alcançado pela Bolsa durante o dia.
No acumulado da semana, o Ibovespa valorizou 8,82%, em uma sequência de ganhos que começou com a forte reação dos investidores aos resultados das urnas no domingo (4).
Pesquisas eleitorais reforçam expectativas dos investidores
O desempenho dos ativos brasileiros também refletiu os levantamentos de intenção de voto divulgados nos últimos dias, que apontaram vantagem de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial.
Na pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (8), Flávio apareceu com 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula. Já o levantamento AtlasIntel/Bloomberg, publicado na sexta-feira (9), apresentou 52,8% para o candidato do PL e 47,2% para o presidente.
O resultado do primeiro turno já havia surpreendido parte dos agentes financeiros. Flávio recebeu 56,1 milhões de votos, equivalentes a 47,03% dos válidos, enquanto Lula somou 53,9 milhões, ou 45,16%.
A vantagem do senador e o avanço de forças políticas alinhadas à oposição no Congresso ampliaram as apostas em uma eventual mudança na orientação econômica do próximo governo.
Mercado aposta em ajuste fiscal e redução de gastos
Entre as expectativas que sustentaram a valorização da Bolsa e do real está a possibilidade de um governo mais comprometido com a contenção das despesas públicas, o controle do endividamento e a implementação de reformas econômicas.
Investidores também trabalham com a perspectiva de uma agenda que inclua mudanças administrativas e previdenciárias, além de condições mais favoráveis à redução da taxa básica de juros, a Selic.
Essas projeções, no entanto, dependem do resultado da eleição e da capacidade de um eventual novo governo de implementar suas propostas. A reação positiva dos mercados expressa expectativas dos investidores, não a confirmação antecipada de medidas econômicas.
O segundo turno presidencial será realizado em 25 de outubro. Até lá, novas pesquisas, declarações dos candidatos e indicadores econômicos poderão influenciar o comportamento do dólar e da Bolsa brasileira.
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