O dólar registrava queda e a Bolsa brasileira operava praticamente estável nesta sexta-feira (16), em uma semana marcada pela perda de força da euforia que tomou conta do mercado financeiro depois do primeiro turno das eleições. A nove dias da disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), investidores acompanham as pesquisas eleitorais, as perspectivas para a economia brasileira e novos sinais de pressão inflacionária nos Estados Unidos.
Por volta das 14h50, o dólar recuava 0,21%, cotado a R$ 5,077. A moeda norte-americana havia oscilado entre R$ 5,068 e R$ 5,096 durante a sessão.
Na quinta-feira (15), a divisa encerrou o pregão em alta de 1,17%, negociada a R$ 5,087. Mesmo com as oscilações recentes, acumulava desvalorização de 1,69% em outubro e de 7,32% desde o início de 2026.
Ibovespa perde ritmo após bater recordes históricos
Na Bolsa de Valores brasileira (B3), o Ibovespa também apresentava um movimento de acomodação depois dos fortes ganhos registrados na semana anterior.
Às 14h25 desta sexta-feira, o principal índice do mercado acionário brasileiro avançava apenas 0,06%, aos 204.451,82 pontos.
Durante o pregão, o indicador havia atingido máxima de 206.305,27 pontos e mínima de 204.164,17 pontos.
+9,64%
+26,8%
O desempenho contrasta com a euforia observada na sexta-feira anterior, dia 9, quando o Ibovespa encerrou a sessão em um recorde histórico de 209.066,90 pontos, após valorização de 1,38%.
Naquele mesmo dia, o índice chegou a marcar 209.713,45 pontos durante as negociações, estabelecendo também um recorde intradiário.
O movimento desta semana é característico de períodos de realização de lucros, quando investidores vendem parte dos ativos depois de uma sequência de altas, provocando estabilização ou recuo nas cotações.
Segundo turno mantém mercado atento a Lula e Flávio Bolsonaro
Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, a eleição presidencial continua no centro das atenções do mercado financeiro.
Investidores acompanham pesquisas de intenção de voto, declarações dos candidatos e possíveis mudanças na condução da política econômica a partir de janeiro de 2027.
Parte dos agentes do mercado demonstra expectativa de que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro seja acompanhada por uma agenda voltada à contenção de despesas públicas, à redução do endividamento federal e à realização de reformas estruturais.
Entre as medidas discutidas estão a reforma administrativa e possíveis mudanças previdenciárias. Essas expectativas, porém, dependem do resultado eleitoral e de decisões futuras do governo.
Para o analista de investimentos Luca Girardi, da Nomad, o período exige cautela.
“Historicamente, mais volatilidade é esperada nesse período, tanto no dólar quanto no Ibovespa, e o mercado costuma ser mais sensível ao noticiário. Aceno de candidatos, discursos, legislações aprovadas, pesquisas, enfim, movimentações nesse período podem gerar mais volatilidade do que costumeiramente gerariam”, explicou.
Assim, discursos políticos, novas pesquisas e medidas econômicas podem provocar oscilações expressivas nos ativos brasileiros durante a reta final da campanha.
Inflação nos Estados Unidos pressiona expectativas sobre juros
Além do cenário eleitoral brasileiro, os investidores acompanharam a divulgação de indicadores econômicos dos Estados Unidos.
Os dados de inflação ao produtor vieram acima das expectativas e reforçaram as preocupações com a persistência da alta de preços na maior economia do mundo.
Segundo Girardi, o Índice de Preços ao Produtor (PPI) norte-americano avançou 1,3% em setembro, diante de uma expectativa de 0,5%.
“O PPI de setembro subiu 1,3% no mês, bem acima das expectativas de mercado de 0,5% e na maior alta mensal desde março de 2022, e acelerou para 6,3% em 12 meses, a maior leitura desde dezembro de 2022”, destacou o analista.
A inflação mais elevada pode influenciar as decisões do Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano, sobre a trajetória dos juros.
Taxas de juros elevadas nos Estados Unidos tendem a aumentar a atratividade dos ativos norte-americanos e podem influenciar os fluxos de capital para países emergentes, incluindo o Brasil.
Girardi também destacou as preocupações relacionadas às empresas de tecnologia, diante de dúvidas sobre o endividamento associado aos investimentos em infraestrutura de inteligência artificial.
Atividade econômica brasileira cresce 0,3% em agosto
No cenário doméstico, outro indicador acompanhado pelos investidores foi o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), utilizado como referência para avaliar o ritmo da economia brasileira.
O indicador avançou 0,3% em agosto, em linha com as expectativas do mercado, depois de uma retração de 0,2% em julho.
O resultado aponta uma recuperação da atividade naquele mês, mas não elimina as preocupações com as contas públicas, a trajetória dos juros e os rumos da política econômica após as eleições.
Com a votação presidencial se aproximando, o mercado financeiro enfrenta uma combinação de incertezas internas e externas. No Brasil, o foco permanece na disputa pelo Planalto. No exterior, os indicadores de inflação e as decisões sobre juros continuam influenciando as negociações.
Depois dos recordes da semana anterior, o Ibovespa voltou à região dos 204 mil pontos, enquanto o dólar era negociado próximo de R$ 5,08. A nove dias do segundo turno, as próximas pesquisas eleitorais e os indicadores econômicos devem continuar no radar dos investidores.
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