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Saúde

Doença da vaca louca: o que é, como é transmitida e quais os riscos para seres humanos

Após dominar muitas manchetes nos anos 1990, quando uma crise no Reino Unido despertou temores de que a carne contaminada poderia chegar ao mercado, a doença da vaca louca voltou a chamar atenção em tempos recentes, devido a sua associação com o Creutzfeldt-Jakob (DCJ), uma doença neurodegenerativa fatal em seres humanos.

Mas, afinal, o que exatamente é esse problema de saúde sem cura que afeta o gado bovino? E ele realmente é um risco tão grande assim para nós?

Conheça mais sobre a doença da vaca louca.

O que é a doença da vaca louca?

“Doença da vaca louca” é o nome popular para um quadro conhecido tecnicamente como encefalopatia espongiforme bovina. O problema destrói gradativamente as células saudáveis do cérebro, afetando a capacidade de movimento e temperamento dos animais, até levar à morte. Não há cura conhecida.

A doença é causada por (ou “partículas proteicas infecciosas”), um tipo de proteína que pode agir de forma comparável a um vírus, por exemplo. Vacas, humanos e outros seres vivos têm príons naturalmente em seu organismo – , por razões não totalmente esclarecidas pela ciência.

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Quando isso acontece, os príons começam a afetar outras partículas semelhantes ao redor, induzindo-as a fazer o mesmo. Com o tempo, há um acúmulo dessas proteínas no cérebro e as funções neurológicas começam a ser impactadas. Pode levar anos para os primeiros sintomas aparecerem após a contaminação original.

Como ela é transmitida?

Acredita-se que os surtos de doença de vaca louca tenham sido iniciados por meio da: a hipótese mais forte é que as rações oferecidas ao gado continham príons originados em outros animais doentes, “infectando” aqueles que acabaram sendo alimentados com esses produtos.

Um dos grandes desafios dos príons é que eles parecem desafiar a lógica da biologia: são estruturas menores que um vírus, sem material genético e compostas exclusivamente por proteína. Eles não são destruídos pelas técnicas típicas de descontaminação, mostrando-se extremamente resistentes ao aquecimento e a produtos químicos esterilizantes.

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Qual o risco para seres humanos?

Uma pessoa que ingere carne de um animal contaminado pelos príons que causam a doença da vaca louca também vai contrair a doença. Quando isso acontece, estamos diante do que se conhece como “variante Creutzfeldt-Jakob”, ou vDCJ, um tipo de Creutzfeldt-Jakob relacionado à alimentação.

No entanto, o risco desse tipo de contaminação é extremamente baixo: desde o começo das ações de vigilância epidemiológica em torno da vaca louca, menos de 250 casos de vDCJ foram documentados no mundo – nenhum deles no Brasil.

O Creutzfeldt-Jakob em seres humanos, como o que afetou recentemente o influenciador Lito Sousa, costuma ter origem no próprio organismo do indivíduo, por razões que – na maioria dos casos – não são bem compreendidas. Estima-se que 85% dos episódios de DCJ tenham origem esporádica, sem uma explicação óbvia, com os 15% restantes associados a uma mutação hereditária.

Ainda há casos raríssimos de Creutzfeldt-Jakob iatrogênico, relacionado ao contato direto com tecidos humanos que tenham os príons contaminados. Esse tipo de infecção só costuma ocorrer em contextos de procedimentos médicos realizados em pessoas já doentes, quando o cirurgião ou outro envolvido na intervenção acaba sendo exposto acidentalmente ao príon e também desenvolve a doença.

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