No governo Lula, Brasil volta a dever mais ao exterior do que tem em reservas

A dívida externa cresceu 27,4% durante o governo e superou as reservas em US$ 5,1 bilhões, segundo dados do Banco Central.

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Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante entrevista coletiva após a Cúpula do G7, em junho de 2026.
Lula durante coletiva após o G7, em junho de 2026; no seu governo, a dívida externa voltou a superar as reservas. | Foto: Ricardo Stuckert/PR

O Brasil voltou a dever mais ao exterior do que possui em reservas internacionais, situação que não ocorria havia 19 anos. Em junho de 2026, a dívida externa atingiu US$ 407,1 bilhões, enquanto as reservas somavam US$ 402 bilhões. A diferença de US$ 5,1 bilhões marca a mudança de posição, segundo dados do Banco Central.

O resultado reflete uma diferença crescente no ritmo de expansão desses valores. Durante o governo Lula, a dívida externa aumentou 27,4%, enquanto as reservas avançaram 15,8%. Intervenções do Banco Central e a valorização do real também limitaram o crescimento das reservas.

Déficit externo aumenta a necessidade de dólares

A pressão sobre as contas brasileiras vai além da comparação entre dívida e reservas. Em 2024, o déficit em transações correntes chegou a US$ 67,4 bilhões, mais que o dobro dos US$ 27 bilhões registrados em 2023. Esse saldo reúne operações com o exterior, incluindo despesas com serviços, investimentos e pagamentos a credores estrangeiros.

Parte dessa necessidade de financiamento vem sendo coberta pelo investimento estrangeiro direto. A entrada desses recursos permite financiar o déficit sem exigir uma redução equivalente das reservas internacionais ou um aumento proporcional da dívida externa.

A margem entre os investimentos recebidos e o déficit, porém, já foi maior. Em 2023, os investimentos superaram o saldo negativo em mais de US$ 38 bilhões. Essa diferença caiu para menos de US$ 9 bilhões em 2024 e voltou a subir em 2025, quando atingiu US$ 17,6 bilhões. Apesar da recuperação, permaneceu abaixo do patamar registrado dois anos antes.

Reservas ainda garantem cobertura para dívidas de curto prazo

A mudança na posição externa do Brasil não significa que o país tenha perdido imediatamente sua capacidade de honrar compromissos. A dívida externa líquida representa menos de 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB), e as reservas internacionais ainda são suficientes para cobrir mais de três vezes os vencimentos da dívida de curto prazo.

O Tesouro Nacional considera essa cobertura confortável. O órgão também distingue a dívida externa total da posição do setor público: quando a comparação envolve apenas a dívida pública e as reservas, o Brasil permanece credor externo, com uma diferença equivalente a 6% do PIB.

Tesouro pretende ampliar dívida emitida em moeda estrangeira

Mesmo com a mudança no indicador geral, o Tesouro planeja aumentar gradualmente a participação da dívida em moeda estrangeira no endividamento público federal. A intenção é elevar essa parcela dos atuais menos de 4% para 7%, de acordo com as condições do mercado.

Entre as possibilidades avaliadas estão novas emissões de títulos em euros e uma primeira operação em yuans, já autorizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

Na comparação internacional feita pelo Tesouro, a posição credora do setor público brasileiro é mais favorável que a do México. Colômbia, Uruguai e Chile, por sua vez, apresentam dívidas públicas externas superiores às respectivas reservas.

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