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Discurso de Milei escancara hipocrisia da ONU

O presidente da Argentina, Javier Milei, usou a tribuna da 80ª Assembleia-Geral da ONU para lançar duras críticas à organização e sua chamada Agenda 2030. Em tom de denúncia, Milei afirmou que a entidade abandonou os princípios de sua fundação e se converteu em um “leviatã de múltiplos tentáculos”, que busca impor aos povos um modelo de vida baseado em burocracia e ideologia.

Para Milei, a ONU deixou de zelar pelos princípios delineados em sua declaração fundadora e passou “de uma organização que perseguia a paz a uma organização que impõe a seus membros uma agenda ideológica sobre uma infinidade de temas que dizem respeito à vida do homem em sociedade”. Ele definiu a organização atual como uma espécie de “governo supranacional”.

Milei teceu críticas à Agenda 2030. “Embora bem-intencionada em suas metas, não é outra coisa senão um programa de governo supranacional de corte socialista, que pretende resolver os problemas da modernidade com soluções que atentam contra a soberania dos Estados-nação e violentam o direito à vida, à liberdade e à propriedade das pessoas.”

Para o presidente argentino, foi precisamente a adoção da Agenda 2030, “que obedece a interesses privilegiados, o abandono dos princípios delineados na Declaração Universal dos Direitos Humanos das Nações Unidas”, que deturpou o papel da ONU. “É uma agenda que busca solucionar a pobreza, a desigualdade e a discriminação com legislações que apenas as aprofundam.”

Aprovada em 2015 por todos os Estados-membros da ONU, a Agenda 2030 estabelece 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que incluem erradicar a pobreza, combater a fome, promover a igualdade de gênero, garantir educação de qualidade, enfrentar a mudança climática e preservar os ecossistemas. A partir dela, os países se comprometeram a adotar políticas públicas em cooperação com organismos internacionais.

No campo econômico, o presidente argentino criticou as políticas ambientais e regulatórias impulsionadas por países desenvolvidos, que, segundo ele, impedem o progresso das nações mais pobres. As políticas coletivistas da ONU atentam contra o crescimento econômico, violam os direitos de propriedade e atrapalham o processo econômico natural, afirmou.

As diretrizes da organização impedem que os países mais atrasados do mundo usufruam livremente de seus próprios recursos para progredir, completou. “Regulamentações e disposições impulsionadas precisamente pelos países que se desenvolveram graças a fazer o mesmo que hoje condenam.”

ONU é incoerente ao receber ditadores e falar sobre direitos humanos

Javier Milei também acusou a ONU de contradições graves, como ao afirmar defender os direitos humanos e aceitar ditaduras, como as de Cuba e Venezuela, no Conselho de Direitos Humanos. “Nesta mesma casa, que diz defender os direitos das mulheres, permite-se o ingresso, no Comitê para a Eliminação da Discriminação contra a Mulher, de países que castigam suas mulheres por mostrarem a pele.”

O presidente argentino recriminou ainda o posicionamento da ONU em relação ao Oriente Médio. A organização tem “votado sistematicamente contra o Estado de Israel — o único país do Oriente Médio que defende a democracia liberal —, ao mesmo tempo em que se demonstrou uma incapacidade total de responder ao flagelo do terrorismo”.

Milei também ressaltou a incapacidade da ONU em responder a conflitos reais, como a guerra na Ucrânia. Em contraste, afirmou, a organização dedica-se a ditar o que países devem produzir, consumir e até em que acreditar.

“Assim estamos hoje: com uma organização impotente para oferecer soluções aos verdadeiros conflitos globais, como tem sido a abjeta e aberrante invasão russa da Ucrânia”, resumiu. “Esta custou a vida de mais de 300 mil pessoas, deixando mais de 1 milhão de feridos no processo.”

O presidente argentino fez um alerta: “Estamos diante de um fim de ciclo”. Segundo Milei, “o coletivismo e o exibicionismo moral da agenda woke colidiram com a realidade. Os problemas reais do mundo, de fato, nunca fizeram parte dela. Se a Agenda 2030 fracassou — como reconhecem seus próprios promotores —, a resposta deveria ser nos perguntarmos se não foi um programa mal concebido desde o início.”



Via Revista Oeste

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