Ao comentar a possível indicação de Lula para ocupar a vaga de Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF), o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), concordou que a reivindicação por uma representação feminina é “absolutamente pertinente e justa”.
O senador afirmou ainda que, apesar de não haver nomes femininos na lista que circula nos bastidores, o tema é legítimo e pode ser considerado por Lula na escolha do próximo ministro do STF: “Até o momento, não me consta”.
“Não estou dizendo que não tenha, estou dizendo que não me consta na lista que todo mundo cita como possíveis o nome de uma mulher”, declarou. “Não estou dizendo que não é pertinente. Eu acho que deve ser. Por mim, deveria ter mais mulheres.”
Nomes cotados para o STF
Nos bastidores, os principais cotados para assumir a vaga de Barroso no Supremo são três autoridades:
- Rodrigo Pacheco — senador e ex-presidente do Congresso Nacional;
- Bruno Dantas — ministro do Tribunal de Contas da União (TCU); e
- Jorge Messias — advogado-geral da União.
Ainda em entrevista, Jaques Wagner ressaltou que a escolha de Lula sobre o próximo ministro da Suprema Corte deve ser uma “decisão solitária”, embora as “pessoas fiquem falando”.
“Eu sou muito franco”, declarou. “Essa coisa é da solidão do poder. Ele vai ouvir mil pessoas, ou não vai ouvir ninguém, até porque é óbvio que ele tem um olhar sobre as pessoas que estão citadas. O Rodrigo Pacheco, ele conhece? Conhece. O Messias, ele conhece? Conhece. O Bruno, ele conhece? Conhece. Então não precisa de informação.”
Interpelado sobre a ausência de mulheres entre os possíveis nomes, o líder reconheceu a lacuna: “Eu acho absolutamente pertinente e justa a demanda”.
“Agora, é preciso às vezes uma inversão na ordem dessas coisas”, argumentou Jaques Wagner. “Não sei se fosse uma mulher na AGU, trabalhando, pode ser que [fosse cotada]. porque também não é ‘tem que ser’, tem as pessoas, e você escolhe, entendeu?”.
A vaga deixada por Barroso reacendeu o debate sobre a baixa presença feminina no Supremo. Atualmente, apenas a ministra Cármen Lúcia compõe a Corte. O novo nome a ser indicado por Lula será o terceiro escolhido por ele em seu atual mandato, depois das nomeações de Cristiano Zanin e Flávio Dino.