Deputados trocam tapas no Parlamento da Albânia em meio a protestos

Oposição exigiu a suspensão da sessão e mostrou fotos de um manifestante que teria sido ferido pela polícia.

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Deputados durante tumulto no plenário do Parlamento da Albânia, em Tirana.
Deputados governistas e oposicionistas entram em confronto durante sessão do Parlamento da Albânia, em Tirana. Foto: Reprodução/X.

Uma votação no Parlamento da Albânia terminou em tapas e empurrões nesta quinta-feira (22), na capital Tirana. O confronto entre deputados da base governista e da oposição começou depois que oposicionistas exigiram a suspensão da sessão e denunciaram a repressão policial aos protestos estudantis que tomam as ruas da cidade há mais de uma semana.

Os parlamentares da oposição se concentraram diante da mesa da presidência e exibiram fotografias de um manifestante que, segundo eles, teria sido ferido por policiais. Em seguida, arremessaram água e papéis na direção da presidência da Casa. A reação dos governistas desencadeou a briga dentro do plenário.

O Parlamento albanês já foi palco de confrontos semelhantes. Em pelo menos duas ocasiões anteriores, deputados chegaram a acender sinalizadores dentro do plenário.

Protestos contra Edi Rama já deixaram mais de 300 feridos

A crise que chegou ao Legislativo começou nas ruas. Estudantes reivindicam mais investimentos na educação e exigem a renúncia do primeiro-ministro Edi Rama, do Partido Socialista, que está há 13 anos à frente do governo da Albânia.

Os jovens também passaram a integrar a chamada “revolução dos flamingos”, movimento contrário a empreendimentos imobiliários de luxo criticados por possíveis danos à economia e à fauna locais. Parte dos projetos contestados tem ligação com Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A mobilização ganhou força também sob a influência dos protestos que se espalharam pela França.

No último fim de semana, participantes dos protestos lançaram coquetéis molotov e incendiaram prédios do Tribunal de Apelações e do Ministério da Educação. Também houve arremesso de pedras contra as forças de segurança e incêndio de contêineres de lixo para bloquear ruas da capital.

A polícia reagiu com gás lacrimogêneo e jatos d’água. Os confrontos deixaram mais de 300 feridos, incluindo agentes de segurança, e resultaram em dezenas de prisões.

Primeiro-ministro acusa interferência estrangeira

Em reunião com diretores de escolas de ensino médio no início da semana, Edi Rama descreveu os distúrbios como parte de uma “guerra híbrida” e voltou a acusar forças estrangeiras de interferir nas manifestações.

O gabinete do primeiro-ministro afirmou, em comunicado, que grupos infiltrados nos protestos pretendem frear “o progresso” do país e “bloquear o processo de negociação” para a entrada da Albânia na União Europeia.

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