A Netflix vai demitir mais de mil funcionários em diferentes países, o equivalente a 6% de sua equipe global. A decisão foi comunicada aos empregados nesta quarta-feira (14) pelos copresidentes-executivos Greg Peters e Ted Sarandos. Será o maior corte de pessoal da plataforma de streaming desde 2022.
As demissões devem atingir principalmente os setores de tecnologia, produto, recursos humanos e jurídico. Em um e-mail enviado aos funcionários, os executivos justificaram a redução como parte de uma estratégia para concentrar recursos nas atividades consideradas mais importantes para os negócios da companhia.
O anúncio ocorre enquanto a Netflix procura novas fontes de receita, enfrenta a concorrência de outras plataformas e acumula perdas expressivas no mercado financeiro.
Ações da Netflix caem mais de 40% em um ano
Nos últimos 12 meses, as ações da Netflix acumularam queda superior a 40%. A companhia anunciou as demissões uma semana antes da divulgação de seu próximo balanço trimestral, mas manteve a previsão de lucro para o ano inteiro.
No fim de 2025, a empresa tinha aproximadamente 16 mil funcionários em tempo integral. A redução anunciada agora representa uma das maiores mudanças recentes em seu quadro de pessoal.
Apesar dos cortes, a Netflix continua investindo em novas áreas para ampliar o faturamento. A companhia tem apostado em publicidade, transmissões esportivas, eventos ao vivo, jogos e podcasts em vídeo. Também passou a oferecer conteúdos produzidos por criadores do YouTube e estuda pacotes de assinatura com outros serviços de streaming.
A estratégia busca ampliar as receitas além das assinaturas tradicionais. Nos Estados Unidos, a taxa de cancelamento de assinaturas permanece abaixo de 3%, segundo dados da consultoria Antenna citados nas informações sobre o setor.
Netflix perdeu disputa pela Warner Bros. para a Paramount
As demissões também ocorrem em um período de grandes mudanças no mercado de entretenimento. No início de 2026, a Netflix perdeu para a Paramount Skydance a disputa pelos ativos de cinema e streaming da Warner Bros. Discovery.
A Paramount concluiu a aquisição neste mês de outubro, em uma operação de US$ 110 bilhões. O negócio colocou marcas como Warner Bros., Paramount Pictures, HBO Max, Paramount+, CNN e CBS sob o comando de David Ellison.
O grupo resultante da operação terá cerca de US$ 80 bilhões em dívidas e reunirá negócios de cinema, televisão, jornalismo e streaming. A concentração dessas operações amplia a concorrência enfrentada pela Netflix na disputa por audiência e receitas.
Enquanto reorganiza sua equipe e busca fortalecer novos negócios, a Netflix mantém a previsão anual de lucro apresentada aos funcionários. A empresa não respondeu imediatamente a um pedido de comentário encaminhado pela agência Reuters.
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