O ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol (Novo) apareceu chorando em um vídeo publicado nas redes sociais depois que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) adiou o julgamento sobre seu registro de candidatura ao Senado pelo Paraná. Embora tenha recebido 2.904.594 votos nas eleições de domingo (4), Deltan ainda corre o risco de ficar fora do cargo por decisão judicial.
A análise do caso estava prevista para quinta-feira (8), mas foi adiada sem que o tribunal anunciasse uma nova data. Enquanto o julgamento não é concluído, a situação do ex-procurador permanece indefinida.
Na gravação, Deltan demonstra emoção ao comentar a possibilidade de não assumir o mandato, mas afirma que considera a votação recebida uma vitória, independentemente do desfecho judicial.
“Deltan, e tua eleição vai valer? Ela já valeu.”
O ex-procurador também manifestou confiança na continuidade de sua trajetória política e recorreu à fé ao comentar a disputa judicial.
“Vamos lutar até o fim juntos. Deus nos dará a vitória, de um jeito ou de outro.”
Apesar da confiança, Deltan reconheceu que poderá ser necessária uma nova eleição caso o TSE rejeite definitivamente sua candidatura.
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Deltan acusa ministro do TSE de censura e favorecimento a Gleisi Hoffmann
No vídeo, o ex-procurador criticou o ministro Floriano de Azevedo Marques, relator do processo que questiona sua elegibilidade.
Deltan acusou o magistrado de censurá-lo ao determinar a suspensão de seus atos de campanha e afirmou que a decisão beneficiaria a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT), que também disputou uma vaga ao Senado pelo Paraná.
A petista terminou a eleição em quarto lugar.
As acusações de censura e favorecimento político foram feitas por Deltan e não representam conclusões estabelecidas pela Justiça Eleitoral.
A controvérsia sobre o registro do ex-procurador atravessou os últimos dias da campanha e continuou mesmo depois da votação.
TSE suspendeu decisão que barrava candidatura às vésperas da eleição
O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) havia autorizado a candidatura de Deltan por quatro votos a três. A decisão, entretanto, foi contestada por adversários políticos.
Na véspera da eleição, Floriano de Azevedo Marques determinou o indeferimento do registro.
No domingo (4), o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, suspendeu os efeitos da decisão e restabeleceu provisoriamente a candidatura.
Com isso, os 2.904.594 votos recebidos por Deltan voltaram a ser contabilizados, enquanto o plenário do tribunal analisa o processo.
A decisão de Nunes Marques não encerrou a discussão sobre a elegibilidade. O resultado definitivo ainda depende do julgamento colegiado.
Cassação de 2023 está no centro da nova disputa judicial
O questionamento ao registro de Deltan está relacionado às circunstâncias de sua saída do Ministério Público Federal, em 2021.
Em 2023, o TSE cassou seu mandato de deputado federal ao entender que o então procurador havia deixado a carreira em um contexto que buscava evitar possíveis consequências de procedimentos administrativos em andamento, conforme a interpretação da Lei da Ficha Limpa.
A decisão anterior passou a integrar a controvérsia sobre sua participação nas eleições de 2026.
Desta vez, porém, a Procuradoria-Geral Eleitoral apresentou parecer favorável à manutenção do registro de candidatura antes da votação.
O posicionamento do Ministério Público Eleitoral não obriga os ministros do TSE a decidir no mesmo sentido.
Caso a Corte rejeite definitivamente a candidatura, os votos recebidos por Deltan poderão ser anulados. Nessa hipótese, poderá ser necessária uma nova eleição para a vaga no Senado.
Por enquanto, o ex-procurador aguarda a definição judicial sobre a validade de sua candidatura e dos quase 3 milhões de votos recebidos nas urnas.
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