Deltan chora após TSE adiar julgamento e diz que seus quase 3 milhões de votos “já valeram”

Ex-procurador da Lava Jato teve 2,9 milhões de votos na disputa pelo Senado no Paraná, mas ainda depende de decisão definitiva da Justiça Eleitoral para assumir o mandato.

Compartilhe
Deltan Dallagnol, ex-procurador da Lava Jato, que teve o julgamento de sua candidatura ao Senado adiado pelo TSE.
Deltan Dallagnol aguarda julgamento do TSE sobre a validade de sua candidatura ao Senado, após receber quase 3 milhões de votos no Paraná | Foto: Lula Marques/Agência Brasil

O ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol (Novo) apareceu chorando em um vídeo publicado nas redes sociais depois que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) adiou o julgamento sobre seu registro de candidatura ao Senado pelo Paraná. Embora tenha recebido 2.904.594 votos nas eleições de domingo (4), Deltan ainda corre o risco de ficar fora do cargo por decisão judicial.

A análise do caso estava prevista para quinta-feira (8), mas foi adiada sem que o tribunal anunciasse uma nova data. Enquanto o julgamento não é concluído, a situação do ex-procurador permanece indefinida.

Na gravação, Deltan demonstra emoção ao comentar a possibilidade de não assumir o mandato, mas afirma que considera a votação recebida uma vitória, independentemente do desfecho judicial.

“Deltan, e tua eleição vai valer? Ela já valeu.”

O ex-procurador também manifestou confiança na continuidade de sua trajetória política e recorreu à fé ao comentar a disputa judicial.

“Vamos lutar até o fim juntos. Deus nos dará a vitória, de um jeito ou de outro.”

Apesar da confiança, Deltan reconheceu que poderá ser necessária uma nova eleição caso o TSE rejeite definitivamente sua candidatura.

Deltan acusa ministro do TSE de censura e favorecimento a Gleisi Hoffmann

No vídeo, o ex-procurador criticou o ministro Floriano de Azevedo Marques, relator do processo que questiona sua elegibilidade.

Deltan acusou o magistrado de censurá-lo ao determinar a suspensão de seus atos de campanha e afirmou que a decisão beneficiaria a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT), que também disputou uma vaga ao Senado pelo Paraná.

A petista terminou a eleição em quarto lugar.

As acusações de censura e favorecimento político foram feitas por Deltan e não representam conclusões estabelecidas pela Justiça Eleitoral.

A controvérsia sobre o registro do ex-procurador atravessou os últimos dias da campanha e continuou mesmo depois da votação.

TSE suspendeu decisão que barrava candidatura às vésperas da eleição

O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) havia autorizado a candidatura de Deltan por quatro votos a três. A decisão, entretanto, foi contestada por adversários políticos.

Na véspera da eleição, Floriano de Azevedo Marques determinou o indeferimento do registro.

No domingo (4), o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, suspendeu os efeitos da decisão e restabeleceu provisoriamente a candidatura.

Com isso, os 2.904.594 votos recebidos por Deltan voltaram a ser contabilizados, enquanto o plenário do tribunal analisa o processo.

A decisão de Nunes Marques não encerrou a discussão sobre a elegibilidade. O resultado definitivo ainda depende do julgamento colegiado.

Cassação de 2023 está no centro da nova disputa judicial

O questionamento ao registro de Deltan está relacionado às circunstâncias de sua saída do Ministério Público Federal, em 2021.

Em 2023, o TSE cassou seu mandato de deputado federal ao entender que o então procurador havia deixado a carreira em um contexto que buscava evitar possíveis consequências de procedimentos administrativos em andamento, conforme a interpretação da Lei da Ficha Limpa.

A decisão anterior passou a integrar a controvérsia sobre sua participação nas eleições de 2026.

Desta vez, porém, a Procuradoria-Geral Eleitoral apresentou parecer favorável à manutenção do registro de candidatura antes da votação.

O posicionamento do Ministério Público Eleitoral não obriga os ministros do TSE a decidir no mesmo sentido.

Caso a Corte rejeite definitivamente a candidatura, os votos recebidos por Deltan poderão ser anulados. Nessa hipótese, poderá ser necessária uma nova eleição para a vaga no Senado.

Por enquanto, o ex-procurador aguarda a definição judicial sobre a validade de sua candidatura e dos quase 3 milhões de votos recebidos nas urnas.

Mais sobre o assunto

Comentários 0

Participe da conversa. Opiniões são bem-vindas quando mantêm respeito e relação com o assunto. Comentários podem passar por moderação antes da publicação.

Deixe seu comentário

Seu comentário deve contribuir com a discussão. Consulte também nossa Política de Privacidade.