Delegados cobram isenção da Polícia Federal após reunião de Moraes com dirigentes da corporação

Encontro fora das agendas oficiais ocorreu um mês depois de André Mendonça determinar o afastamento de chefes da PF; associação da categoria defende atuação sem alinhamento político

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Sede da Polícia Federal em Brasília, instituição cujos dirigentes participaram de reunião com Alexandre de Moraes no STF.
Sede da Polícia Federal em Brasília; reunião entre Alexandre de Moraes e dirigentes da corporação provocou reação entre delegados | Foto: Divulgação/PF

A Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF) cobrou uma atuação independente e sem interferências políticas da corporação depois de uma reunião entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e integrantes da cúpula da Polícia Federal. O encontro aconteceu na terça-feira (6), em Brasília, e não constou das agendas públicas dos participantes.

A manifestação foi feita pelo presidente da associação, Edvandir Paiva, em meio à repercussão da reunião e às controvérsias envolvendo relatórios de inteligência produzidos pela PF sobre a atuação de Moraes.

Em declaração à revista Veja, Paiva defendeu que a instituição mantenha uma postura técnica durante o período eleitoral, sem permitir que interesses políticos coloquem em dúvida a credibilidade de suas investigações.

“A ADPF espera uma postura estritamente republicana, técnica e isenta da Polícia Federal durante todo este período eleitoral”, afirmou o dirigente.

Paiva também ressaltou que a corporação possui 82 anos de história e não pode permitir que sua atuação seja colocada sob suspeita.

Associação exige Polícia Federal sem partido ou ideologia

Ao comentar o encontro, o presidente da ADPF reforçou a defesa de uma Polícia Federal com autonomia para cumprir suas atribuições constitucionais.

“A nossa luta permanente é por uma Polícia Federal de Estado, com autonomia real para cumprir seu papel constitucional, sem lado, ideologia ou partido”, declarou.

A cobrança ocorre em um momento de atrito entre integrantes do Supremo e dirigentes da corporação, especialmente depois da produção de relatórios de inteligência relacionados ao ministro Alexandre de Moraes.

A associação defende que a atuação da PF não esteja subordinada a interesses partidários, independentemente das autoridades envolvidas nas investigações.

Moraes recebeu diretor-geral e chefes da PF no STF

A reunião aconteceu na sede do Supremo Tribunal Federal, em Brasília, e reuniu o ministro Alexandre de Moraes e três integrantes da direção da Polícia Federal.

Participaram do encontro o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues; o diretor de Inteligência, Leandro Almada da Costa; e Dennis Cali, responsável pela área de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção.

Nenhum dos participantes incluiu a reunião em sua agenda pública. A informação sobre o encontro foi divulgada inicialmente pelo Poder360.

A reunião ocorreu aproximadamente um mês depois de uma decisão do ministro André Mendonça que atingiu dois dos dirigentes presentes.

Mendonça determinou afastamento de Andrei Rodrigues e Leandro Almada

Em 8 de setembro, André Mendonça determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues e Leandro Almada de suas funções na Polícia Federal.

A decisão ocorreu em meio a questionamentos envolvendo relatórios de inteligência elaborados pela corporação entre os dias 3 e 31 de agosto.

Os documentos reuniam informações sobre a atuação de Alexandre de Moraes. Segundo a versão apresentada pela PF, o próprio ministro havia determinado a produção do material no âmbito do Inquérito das Fake News.

Depois de concluídos, os relatórios foram entregues a Moraes pelo diretor-geral Andrei Rodrigues.

O episódio passou a integrar uma controvérsia entre ministros do Supremo relacionada à condução de investigações e ao emprego de informações produzidas pela Polícia Federal.

Moraes pediu providências contra André Mendonça

Após receber os relatórios, Alexandre de Moraes encaminhou o material ao presidente do STF, Edson Fachin, acompanhado de um pedido de providências contra André Mendonça.

Na solicitação, Moraes apontou indícios de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade relacionados à atuação de Mendonça nas investigações sobre o Banco Master e as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Os apontamentos foram apresentados pelo próprio Moraes e não representam, por si só, o reconhecimento judicial da prática dessas irregularidades.

Foi nesse contexto que o ministro recebeu Andrei Rodrigues e os demais dirigentes da PF no Supremo, cerca de um mês depois dos afastamentos determinados por Mendonça.

A repercussão do encontro levou a associação dos delegados a cobrar publicamente que a Polícia Federal preserve sua autonomia e mantenha uma atuação técnica durante as eleições, sem alinhamento a partidos ou grupos políticos.

 

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