Degeneração macular pode “apagar” o centro da visão e dificultar até reconhecer rostos

Doença atinge a região da retina responsável por enxergar detalhes. Linhas tortas, letras borradas e manchas escuras estão entre os sinais de alerta, especialmente após os 55 anos.

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Exame oftalmológico para investigar alterações na retina e perda da visão central associadas à degeneração macular.
Degeneração macular pode comprometer a visão central, provocar manchas escuras e dificultar atividades como ler e reconhecer rostos. Foto: Brands&People/Unsplash

A degeneração macular relacionada à idade (DMRI) pode provocar uma alteração visual que assusta: a pessoa continua enxergando o ambiente ao redor, mas começa a perder justamente a parte central da imagem. Em casos avançados, reconhecer rostos, ler palavras e distinguir pequenos detalhes pode se tornar extremamente difícil.

A doença afeta a mácula, região localizada no centro da retina e responsável pela visão nítida. Com o avanço da degeneração, podem surgir manchas escuras ou áreas vazias no campo visual, além de distorções que fazem linhas retas parecerem tortas.

Embora esteja associada ao envelhecimento, a DMRI não afeta todas as pessoas da mesma maneira. Alguns pacientes apresentam evolução lenta, enquanto outros sofrem perda visual mais rápida. Os riscos aumentam especialmente após os 55 anos.

Por que a visão pode desaparecer pelo centro?

A mácula é responsável por permitir que os olhos enxerguem detalhes daquilo que está diretamente à frente. É essa região que utilizamos para ler, identificar rostos e realizar atividades que exigem precisão.

Quando suas células são danificadas, a visão central pode ficar embaçada, distorcida ou apresentar pontos sem imagem. A visão periférica, responsável por perceber o que está nas laterais, pode continuar preservada.

Isso explica por que uma pessoa com degeneração macular avançada pode perceber alguém à sua frente, mas ter dificuldade para identificar seu rosto.

A doença não provoca necessariamente cegueira total, mas a perda da visão central pode limitar significativamente a independência do paciente.

Linhas tortas e manchas escuras estão entre os sinais de alerta

Os primeiros estágios da degeneração macular podem passar despercebidos. Em algumas situações, os sintomas aparecem inicialmente em um único olho, dificultando a identificação do problema.

Entre as alterações que merecem atenção estão:

  • Linhas retas que parecem onduladas ou tortas, como postes, portas e janelas;
  • Manchas escuras ou áreas vazias no centro do campo visual;
  • Letras borradas ou distorcidas durante a leitura;
  • Dificuldade para reconhecer rostos e distinguir detalhes;
  • Perda de nitidez ao olhar diretamente para objetos;
  • Dificuldade para enxergar em ambientes pouco iluminados.

Segundo o National Eye Institute (NEI), dos Estados Unidos, perceber linhas retas como onduladas é um sinal de alerta que exige avaliação oftalmológica imediata.

Esses sintomas também podem ocorrer em outras doenças oculares. Por isso, somente o exame médico pode determinar a causa da alteração.

Degeneração macular seca e úmida: qual é a diferença?

A degeneração macular relacionada à idade apresenta duas formas principais: seca e úmida.

Forma seca: é a mais comum. Está associada a alterações progressivas na mácula, incluindo o afinamento de suas estruturas e o acúmulo de depósitos conhecidos como drusas. A perda visual geralmente ocorre de forma gradual, embora a doença possa atingir estágios avançados.

Forma úmida: é menos frequente, mas pode provocar danos rápidos. Ocorre quando vasos sanguíneos anormais crescem sob a retina e podem causar vazamentos ou sangramentos, comprometendo a visão central.

Pacientes com a forma seca podem desenvolver a forma úmida, o que torna importante o acompanhamento regular para identificar mudanças na retina.

Idade e tabagismo aumentam o risco de desenvolver a doença

O envelhecimento é o principal fator de risco da degeneração macular. O histórico familiar e o tabagismo também estão associados a uma maior probabilidade de desenvolver a condição.

No Brasil, ainda faltam levantamentos nacionais abrangentes sobre a frequência da doença. Estimativas citadas pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) indicam prevalência de 2,2% entre pessoas de 70 a 79 anos e de até 10,3% na população com 80 anos ou mais.

Não fumar, manter alimentação equilibrada e realizar consultas oftalmológicas periódicas são cuidados importantes para a saúde dos olhos.

Como a doença pode evoluir sem sintomas perceptíveis, pessoas com fatores de risco devem conversar com um oftalmologista sobre a frequência dos exames.

Degeneração macular tem tratamento?

As opções de tratamento dependem da forma da doença e do estágio em que ela é diagnosticada.

Na degeneração macular úmida, uma das principais alternativas é a aplicação intraocular de medicamentos anti-VEGF, que ajudam a controlar os vasos sanguíneos anormais e podem preservar ou melhorar a visão em determinados pacientes.

Na forma seca, suplementos específicos, como os da fórmula AREDS2, podem reduzir o risco de progressão em alguns estágios. Entretanto, eles não são indicados para todas as pessoas e não representam uma cura.

O diagnóstico pode envolver avaliação do fundo do olho, exame de retina e tomografia de coerência óptica (OCT), que permite observar detalhadamente as camadas da retina.

Não existe um tratamento único para todos os casos. A escolha depende de avaliação individualizada por um especialista.

Chip experimental consegue melhorar parte da visão em estudo

Uma tecnologia experimental também tem apresentado resultados promissores para pacientes com perda visual avançada provocada pela degeneração macular.

Um estudo publicado no The New England Journal of Medicine avaliou um sistema composto por um pequeno implante colocado sob a retina e óculos especiais capazes de projetar imagens por luz infravermelha.

Dos 38 participantes que receberam o implante, 32 foram avaliados após 12 meses. Entre eles, 26 apresentaram melhora clinicamente significativa na acuidade visual, o equivalente a 81% dos pacientes acompanhados nesse período.

Apesar dos resultados, o procedimento continua experimental e não está disponível como tratamento de rotina. A pesquisa também registrou complicações graves relacionadas à cirurgia ou ao dispositivo, reforçando a necessidade de novos estudos.

Quando procurar atendimento oftalmológico?

O surgimento repentino de manchas, distorções ou perda de nitidez no centro da visão deve ser avaliado rapidamente por um oftalmologista.

O diagnóstico precoce é importante para identificar a causa dos sintomas e, quando houver tratamento indicado, reduzir o risco de agravamento dos danos visuais.

Mais informações sobre a degeneração macular estão disponíveis no National Eye Institute.

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